Tiro que matou morador da Maré partiu da polícia, diz líder comunitário

O tiro que matou Igor Barbosa Gregório Augusto, de 19 anos, partiu de um policial que estava dentro de um veículo blindado do Batalhão de Operações Especiais (Bope), disse nesta sexta-feira um líder comunitário integrante da Associação de Moradores do Parque Maré. Igor morreu nessa quinta-feira, durante uma operação policial que buscava os responsáveis pelo ataque a uma equipe da Força Nacional, na Vila do João. Os responsáveis pelo ataque, ocorrido no dia anterior, não foram encontrados.

Por razões de segurança, a Agência Brasil não divulgou o nome do líder comunitário, que conversou com a reportagem por telefone.

“Eu socorri o Igor, e ele veio a falecer”, disse o líder comunitário. Ele contou que Igor estava sentado, em frente à casa de um morador, conversando com amigos, e foi atingido por um tiro que partiu do blindado, no meio da rua. “Todo mundo viu que o tiro partiu do próprio policial do Bope [Batalhão de Operações Policiais Especiais]. Ele [Igor] não era envolvido com o tráfico, era trabalhador, deixou um filho de um ano e outro para nascer. Ele tinha uma família e amava os filhos. Arrancar a vida de um ser humano é fácil. Difícil é consolar a família”, afirmou.

O líder comunitário criticou a forma como foi executada a operação das forças de segurança, da qual participaram também o Exército, a Força Nacional e a Polícia Federal.

“O Estado tem que ter mais segurança no que faz. Tem que ter um padrão de operação. Existem escolas, paralisaram os postos médicos. [O sentimento da comunidade] é de revolta, revolta total. Só temos choro, sofrimento e dor da família. Isso não pode acontecer em uma comunidade de baixa renda como a nossa”, acrescentou o líder comunitário.

Ele disse também que, ontem, os policiais tentaram impedir que Igor fosse socorrido, fazendo disparos com arma de fogo. “Os policiais do blindado não queriam nem que a gente socorresse o ferido. O tiro pegou no rosto de Igor e varou na nuca. Eles [policiais] entram atirando dentro da nossa comunidade, acham que todo mundo é bandido, mas esta não é a nossa realidade. Somos trabalhadores, pais de família, cidadãos.”

O corpo de Igor será sepultado na manhã deste sábado, no Cemitério da Cacuia, na Ilha do Governador.

Polícia nega
A Polícia Militar (PM) foi procurada para se pronunciar sobre as circunstâncias da morte de Igor e, em e-mail, desmentiiu a versão do líder comunitário. Segundo a PM, denúncias contra policiais militares devem ser direcionadas para a ouvidoria da corporação, no telefone 3399-1199.

Atingido durante o ataque à Vila do João, o soldado Hélio Vieira, que era de Roraima, morreu na noite de quinta-feira, após ser operado no Hospital Salgado Filho. Dois militares que estavam com ele ficaram feridos, mas sem maior gravidade. O governo federal decretou luto de um dia pela morte de Vieira.


Fonte: Diário de Pernambuco

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