"2018, agora, é mimimi", diz ministro Geddel Vieira Lima

Articulador político e responsável por estabelecer consensos e acordos com a base aliada no Congresso, o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, é conhecido pelo seu pavio curto. Garante que melhorou, mas não quer saber de antecipação do debate sucessório de 2018. “Vamos discutir política agora? É mimimi. Vou sabotar qualquer discussão a respeito de 2018, de política, de arrumação, de candidatura, de conchavo. Quem pensa assim, apequena o debate e não percebe a gravidade do problema que temos pela frente. Não dá para ficar apenas nessa disputa permanente.”

Em entrevista ao Correio, Geddel afirma que não há candidatos naturais neste momento em nenhuma legenda. Também diz que não dá para minimizar as manifestações de rua nem superestimá-las como “um movimento de massas”. Defende o debate sobre a reforma da Previdência e acrescenta que Lula ainda tem  espaço como liderança popular, mas divide as atenções com “outros temas que o estão angustiando”.

Nesse instante de divisão do país, em que se precisa enfrentar uma pauta xtremamente impopular, partir para o confronto ou minimizar esses ovimentos de rua não é um erro?
Não é minimizar. Agora, não é superestimar. As fotografias, as filmagens mostram, claramente, que, por mais respeitosas e legítimas que sejam essas manifestações, há ali um claro componente de estímulo à militância para ir às ruas, basta ver as bandeiras de centrais sindicais ligadas ao PT. Nada de reivindicações, de posição e de mérito de absolutamente coisa nenhuma. Acho que o governo tem que ter a tranquilidade de saber que isso faz parte do regime democrático. Mas não dá para superestimar como um movimento das massas populares brasileiras.

A decisão do Senado, na semana passada, de fatiar o impeachment de Dilma Rousseff, deu combustível para os movimentos de rua?
Esse discurso do golpe é uma coisa falaciosa. O PT perdeu a franquia que tinha com a classe média, agora tem que se voltar para sua militância. Ademais, vamos deixar claro aqui: por mais apreço que se possa ter à ex-presidente Dilma, afastada por crime de responsabilidade, ela não é uma líder política que mobilize multidões. Não mobiliza sequer o PT.

O senhor fala que Dilma não é uma líder, mas e o ex-presidente Lula?
Ele, inquestionavelmente, ainda tem um espaço, uma liderança popular, ainda há uma memória. Mas enfrenta dificuldades que dividem sua atenção entre a militância que teria que fazer para preservar essa liderança e outros temas que, certamente, o estão angustiando.

De onde e quando virá o primeiro resultado positivo do governo Temer?
Quem acompanha mais de perto a economia já começa a perceber uma retomada de confiança. De forma muito tênue, porque a crise é muito grande. Somos um país que está enfrentando 12 milhões de desempregados, inflação ainda elevada, uma recessão clara, perda de confiança e credibilidade por parte dos investidores. Não dá para você ficar imaginando que vai ter uma recuperação meteórica.

O senhor bate na tecla de que o Congresso não pode ser carimbador de medidas. Qual o limite de alteração para que os projetos do governo não sejam descaracterizados?
A base será chamada de forma clara e pedirei a eles compreensão e solidariedade nesse momento que o país precisa. Os projetos que estão lá não são projetos de governo. São projetos de país. Vamos cobrar isso com muita clareza e transparência dos deputados e senadores que nos dão sustentação.

Essa semana, o Conselho Nacional do Ministério Público autorizou mais um ano para a Lava-Jato. Isso incomoda o governo?
Vamos examinar uma possibilidade: O Conselho do Ministério Público deu por terminada a Lava-Jato. Aí, surge um problema. Esse problema deixaria de vir a público porque terminaram a Lava-Jato? Não. Isso é da alçada do Ministério Público e o governo não tem por que se preocupar. Todos devem estar preparados para, em determinado momento, ser chamado a essa lide, dar suas explicações e pagar seus preços.

O que o senhor tem a dizer sobre as citações ao nome do senhor em ligações envolvendo o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto e o doleiro Lúcio Funaro sobre um aporte da CEF à empresa J.Malucelli?
Não comento declarações de terceiros.

O senhor acha que o PSDB está com muito “mimimi”?
O PSDB está exercendo o papel dele. É um partido político importante, governou o país por duas vezes, tem lideranças importantes e quer se preservar, deixando um espaço de seu discurso. É absolutamente natural. Cabe a quem está no exercício efetivo de governo compreender isso tudo, ter paciência, se posicionar. Endurecer um pouco quando a conversa tiver que endurecer, fragilizar quando tiver que fragilizar e, sobretudo, ter tranquilidade.

Mas não incomoda o PSDB dizer,publicamente, que o governo tem de enquadrar o PMDB?
Não incomoda e sabe por que? O PSDB já foi governo, teve o PMDB como aliado e nós fazíamos isso também. Não incomoda. Não queríamos uma paz de cemitérios. Esqueça isso.

Preparados para o desgaste do debate da Reforma da Previdência?
Ao governo cabe mostrar os números. Nós temos uma Previdência, num país em que o IBGE mostra que a expectativa de vida beira os 80 anos e as famílias estão tendo 1,5 filho, que não se sustenta, basta fazer as contas. A sociedade diz que quer manter as coisas em nome de supostos privilégios e de direitos adquiridos e vai ter uma Previdência que, daqui a pouco, não vai mais pagar nenhum benefício.

O ano chave para vocês vai ser 2017? E o que dá para aprovar das reformas?
A chave desse avanço começa agora. Temos que mostrar o que estamos fazendo e dizer que é importante para o Brasil. Não é para sinalizar para o mercado. Até o fim deste ano, devemos aprovar a questão do teto.

Ainda está no radar do PMDB ter candidato próprio em 2018?
Não deve estar no radar do PMDB ter candidato próprio. Até porque não há nenhum candidato natural para 2018. Não há uma liderança política. Nem o ex-presidente Lula, considerado imbatível, é hoje um candidato natural por uma série de circunstâncias. Esse assunto tem de ser discutido lá adiante.

Se surgir um nome no PMDB e o partido antecipar esse debate, isso poderá prejudicar o governo Temer?
O PMDB não vai antecipar, não vamos cair nessa armadilha. Nossa prioridade agora é uma agenda econômica, é tirar o país da crise. Vamos discutir política agora? É mimimi. Vou sabotar qualquer discussão a respeito de 2018, de política, de arrumação, de candidatura, de conchavo. Quem pensa assim, apequena o debate e não percebe a gravidade do problema que temos pela frente.

Temer não será candidato?
Não será por uma razão existencial, pessoal. Ele não quer ser candidato. Ele acha que lhe foi ofertada pelo destino uma oportunidade e ele tem que se agarrar, aproveitar para deixar aos seus e aos brasileiros um legado de alguém que chegou à Presidência e que soube honrar essa oportunidade.

Tivemos os governos José Sarney, Itamar Franco e agora Temer. Qual é o verdadeiro governo do PMDB?
O governo capitaneado por um peemedebista é este. Embora não seja um governo só do PMDB, é um governo compartilhado, cujo sucesso tem de ser de todos. Isso está ficando claro, embora ainda haja estresses aqui e ali para que cada um ratifique sua personalidade própria.


Fonte: Diário de Pernambuco

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