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Artigo: Arte em vidraçaria por Fernando Moura Peixoto

A arte é uma ferramenta; os espíritos são os operários.”

-VICTOR HUGO (1802 – 1885)

Uma visita a uma grande vidraçaria do Rio de Janeiro pode levar-nos à descoberta de objetos interessantes, como pinturas de artistas pouco conhecidos que aguardam molduragem – óleos sobre tela, aquarelas, gravuras e reimpressões. E ainda, tapeçarias, painéis, pôsteres e fotografias, sem falar no material decorativo em vidro – espelhos, garrafas e também um imenso relógio que parece indicar que a vida passa, inexoravelmente, e ele marca o tempo que nos resta.

-Foto: FMPeixoto-

O registro do labor diário de empregados e patrões na firma Penta Vidro, especializada em colocação de vidros e molduras – inaugurada em 1984, na Rua São João Batista, 51, no bairro de Botafogo, zona sul carioca, de propriedade da família Silva –, cujo patriarca, Felix Silva, mineiro de Governador Valadares, é um torcedor apaixonado pelo Glorioso Alvinegro da Estrela Solitária. Cenas singulares, como um intervalo para o lazer no computador (um joguinho de paciência) e um momento de descontração: uma merecida sesta após o almoço, já que ninguém é de ferro.

A captação fotográfica de situações que hoje parecem banais, corriqueiras, daqui a muitos anos provavelmente vai servir como importante documento de um período, por assinalar tendências, costumes e hábitos da população.

-Foto: FMPeixoto-

Um quadro no escritório chama a atenção por conter uma foto rara. As cantoras Maysa (1936 – 1977) e Elis Regina (1945 – 1982), abraçadas e sorridentes – provavelmente no início dos anos 1970 -, quando se sabe que na época disputavam o mesmo namorado. Mas atenção: o retrato é o xodó dos donos da empresa e não está à venda.

Outro, muito curioso, emoldura um pensamento do multiartista e inventor renascentista italiano Leonardo da Vinci (1452 – 1519) – autor da famosa pintura Mona Lisa -, de tradução meio complicada em português: Ne pas prévoir c’est déjà gémir” (em inglês, Not to anticipate is already to moan”). Ou seja, quem não se prepara para uma determinada situação, já está se lamentando antes que ela venha realmente a ocorrer – “prevenir é sempre melhor do que remediar” um fato desagradável.

-Foto: FMPeixoto-

A fotografação aconteceu entre 2012 e 2013. Na trilha sonora, ‘Rua da Hera’, do músico e compositor dinamarquês Thor Backhausen, interpretada por Marcelo Salazar, percussão; Rildo Hora, harmônica; Ricardo Leão, teclados; Paulo César Barros, baixo, e Carlos, violão e solo de guitarra.

O vídeo é dedicado a Paulo César Oliveira (1953 – 2012), o ‘seu Paulo’, um dos funcionários mais antigos, muito querido na empresa Penta Vidro, falecido aos 58 anos de idade.

pentavidros@hotmail.com Tel.(21) 2539-0541

O espírito desenha, mas é o coração que molda.”

AUGUSTE RODIN (1840 – 1917)

Fernando Moura Peixoto (ABI 0952-C)

Arte em Vidraçaria de Botafogo

Meu vídeo: http://youtu.be/aIlApFqKmbM

Comentaram:

Caro Fernando. Eu gosto mais quando a pesquisa é mais profunda. Mas o seu trabalho é ótimo. Abraços.” LAURO GOMES PINTO, radialista, teatrólogo e produtor musical, Rio de Janeiro, RJ.

Prezado Fernando, bom dia. Obrigado pelos vídeos, já os assisti. Gostei muito, lindos. Grande abraço.” ARTUR RODRIGUES, escritor e editor, Rio de Janeiro, RJ.

Caro Fernando. Tenho lido todos seus textos, porém com certa parcimônia, pois cada um é mais interessante que o outro. Eles trazem sempre mensagem da história e cultura geral do nosso país. Continue com esse trabalho. Abraços.” LOURDES COELHO, aposentada, Rio de Janeiro, RJ.

Fernando. Acho seus trabalhos originais, bem documentados, ricos e bem finalizados na apresentação. Gostei imensamente desses dois vídeos Arte em Vidraçaria e Arte em Grafites, cada um com suas caraterísticas, excelentes! Vá em frente!!!” PATRÍCIA SANTORO, médica, Rio de Janeiro, RJ.

Maravilha, sensacional. Gostei demais. Só tenho a agradecer a sua atenção, incrível! Pode continuar, se possível, enviando mensagens da espécie.” GILENO BEZERRA, aposentado, Joinville, SC.

Que beleza, amigo Fernando! Fico feliz se contribuí um pouquinho para o aumento das visualizações da matéria anterior. Vou postar esta também, espero que o fato se repita.” CEIÇA PAIVA, professora, Natal, RN.

Muito obrigada, Fernando, por esse registro tão bacana! Abraços.” MAGALI KLEBER, Universidade Estadual de Londrina, UEL, Londrina, PR. http://www.uel.br

Muito legal, Fernando. Obrigado.” GUILHERME SILVA, empresário, Rio de Janeiro, RJ.

Fernando, uma forma glamourosa de algum jornalista destacar esse seu trabalho seria simplesmente assim: ‘… Aconteceu de novo’. O pesquisador cultural, cronista da vida e amante do Rio, Fernando Moura Peixoto, registra mais um momento inegavelmente inconteste da cultura brasileira, incluindo uma rara foto de duas personalidades egocêntricas como Maysa e Elis Regina tornadas mutuamente acessíveis num flash…

Foto de tino de arqueólogo profissional. Ótima. O que prova que a Elis tinha um bom autocontrole, se quisesse! Ambas estão simpaticíssimas.

Essa simples e curta frase, ‘aconteceu de novo’, seguida de ponto final (‘period’, em inglês), tem um efeito quase incrível em alguns momentos, como por exemplo, no registro de shows memoráveis de Johnny Rivers ou numa exposição de Picasso. Tem certo charme. Abraços.” CARLOS BASTOS, jornalista, Rio de Janeiro, RJ.

Fernando Moura Peixoto. Muito obrigado pelo envio de mais um interessante documento do dia a dia do bairro de Botafogo.” RICARDO TACUCHIAN, músico, maestro e compositor, Rio de Janeiro, RJ.

Que bacana este registro, Fernando! Olhos de artista sempre captam tesouros onde ninguém os espera 🙂 Parabéns!” JUSSARA NEVES REZENDE, escritora e literata, Machado, MG.

A vidraçaria é a pintura, a música a moldura e o vídeo um espelho, em cristal bisotado, que lhe confere autenticidade. O fotógrafo e jornalista Fernando Moura Peixoto reflete, com precisão, pessoas e coisas, entalhes e detalhes do passado com mesclas do presente. Já o futuro, ao registro pertence! A excelente música embala o eclético acervo, máquinas operatrizes quase que rudimentares, arte, objectos, pessoas e coisas, contrastando com o actual; ferramentas e tecnologia de ponta, delírio de novas pessoas.” ABILIO FERNANDES, escritor, teatrólogo e humorista, Rio de Janeiro, RJ.

-Foto: FMPeixoto-

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