Últimas

Assassinatos e desaparecimentos marcam campanha eleitoral no Entorno do Distrito Federal

 
A oito dias das eleições municipais, a Polícia Civil do Entorno reúne vários crimes emblemáticos com supostas relações com candidatos. As campanhas eleitorais principalmente para o cargo de prefeitos foram feitas entre machetes e protestos por conta de desaparecimentos e, ao menos dois assassinatos. No caso mais recente, moradores de Águas Lindas fizeram um protesto para perguntar onde está Vanderlúcio da Costa Silva, 41 anos, mais conhecido como Baiano do Camping Clube. Conhecidos do desaparecido afirmam que ele fazia denúncias contra o prefeito do município, Hildo do Candango (PSDB). Policiais investigam, também, as mortes do jornalista João Miranda do Carmo, 54 anos, e do presidente do PR de Stano Antônio do Descoberto,  Paulino Rodrigues da Silva, ambos adversários do prefeito da cidade,  Itamar Lemes Prado.

Vanderlúcio foi visto pela última vez na terça-feira, 20 setembro, ao sair de casa em seu caminhão, por volta de 7h da manhã. No mesmo dia, moradores da cidade encontraram o caminhão dele. O veículo tinha sido abandonado em uma estrada de terra, na zona rural, por volta de 15h. Na última sexta, ao menos 50 pessoas fecharam a BR-070, para perguntar onde ele está. Com faixas com dizeres como “Baiano desaparecido” e “Queremos Justiça, manifestantes atearam fogo a pneus e interromperam o fluxo da rodovia federal nos dois sentidos de 9h50 a 12h20 de ontem. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) acompanhou o ato.

O delegado-chefe da 17ª Regional de Polícia Civil, responsável pelo caso, Fernando Augusto Lima Gama, disse que a Polícia Civil goiana espera encontrá-lo vivo e que, por enquanto, não vai falar em linhas de investigação. “A família realmente falou que ele foi ameaçado por uma pessoa de nome João. Mas seria um caso antigo. Oficialmente, não nos chegou nada sobre denúncia política. A cidade está bem agitada e as pessoas estão comentando. Fazemos nosso trabalho com muita cautela e de maneira imparcial. Vamos chegar ao desaparecido a partir dos fatos”, afirmou.

A polícia está ouvindo amigos e parentes de Vanderlúcio, para tentar reconstituir a rota do morador no dia do desaparecimento, e procura, ainda, imagens de câmeras de monitoramento da cidade, para reconstituir os passos de Vanderlúcio. Fernando insistiu que não é possível, neste momento, falar em “conotação política”. A assessoria de imprensa do prefeito mandou uma nota comentando o desaparecimento e as suposições para o Correio Braziliense. O texto informa que o desaparecimento “tem sido utilizado por grupos políticos com o intuito de desequilibrar a harmonia do processo eleitoral na cidade”. E afirma, ainda, “que o prefeito protocolou requerimento para a lavratura de Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), visando responsabilizar por crime de calúnia, pessoas que estão de forma dissimulada e ilegalmente tentando vincular seu nome ao acontecido”.

A nota informa, ainda, que Hildo do Candango se reuniu com o delegado Fernando Gama, com o capitão Ricardo Neves, representante do 17º Comando Militar da PM, e com a Juíza da 1ª Vara Criminal do município, Cláudia Silva de Andrade Freitas, “para em conjunto deliberarem a intensificação das providências, visando a apuração do desaparecimento do cidadão em questão”.

Esse não é o primeiro caso de investigação no Entorno, em período eleitoral e com supostas causas políticas. O Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) da Polícia Civil de Águas Lindas procura os assassinos de Paulino Rodrigues da Silva, 58, vice-presidente do Partido da República (PR) de Santo Antônio do Descoberto (GO). Conhecido como Pastor Paulino, ele foi assassinado na porta de casa, em Morada Nobre, em 21 de agosto. O pastor apoiava a candidata à prefeita Estela Souza (PR), ex-mulher do prefeito do município. A vítima chegou a ser socorrida e levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Ninguém foi preso ainda.

Em 24 de julho, a vítima foi o jornalista João Miranda do Carmo, 54 anos, também opositor de Itamar. João Miranda tinha um site SAD Sem Censura, em que denunciava crimes relacionados ao tráfico de drogas e irregularidades e investigações contra a gestão de Itamar, e levou 13 tiros. Este caso, em específico, está a cargo da Polícia Civil do município. O chefe da segurança da prefeitura e braço direito do prefeito, Douglas Ferreira de Morais, 40, foi preso em 27 de julho, suspeito de participar do crime. O filho dele, Rooney da Silva Morais, 22, foi preso em 24 de agosto, suspeito de efetuar os disparos. A motivação da morte, no entanto, permanece um mistério.permanece um mistério.


Fonte: Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook