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Bando de Loucos: O Dom Sebastião corintiano

“Tite, cedo ou tarde, vai voltar. Sua vida está no Corinthians. Onde ele aprendeu a amar e ser amado”



GOAL Por Luís Butti, de São Paulo


Numa semana onde não houve rodada do Brasileiro por causa de Data FIFA, é impossível escrever uma coluna do Corinthians em plena semana de aniversário sem lembrar de Tite.

A cena que o corinthiano mais temia nos últimos meses já estava consumada desde maio. Mas se tornou real na prática apenas na última quinta­feira: a estréia de Tite pela Seleção Brasileira. E que estréia. 3×0 no Equador, na altitude de Quito. Com direito à baile, a Seleção se impôs diante do então líder das Eliminatórias e fez o torcedor do Corinthians sentir mais saudade ainda, diante das falhas de Cristóvão.

Tite é uma espécie de Dom Sebastião do Parque São Jorge. Quase ninguém na torcida aceita outra pessoa no posto, na esperança de que um dia, ele volte pelos mares e triunfe novamente. Todos os que sentam ali parece que são “tampões” e desprestigiados. Uma espécie de contagem regressiva pra volta de Tite acontece diariamente na mente da maioria dos torcedores.

A única diferença para Dom Sebastião, que morria na Batalha de Qbir e que jamais voltou, é que Tite, este sim, cedo ou tarde, vai voltar.

Sua vida está no Corinthians. Onde ele aprendeu a amar e ser amado.

E, ao ver a Seleção de Tite jogar, o sentimento que bate é que, no fundo, será uma ótima para o Corinthians.

Em primeiro lugar, Tite é um cara para despertar o orgulho de jogar no país. Em querer atuar no Brasil, pois sabe que os atletas em destaque serão convocados mesmo atuando por aqui, o que pode segurar grandes nomes no Corinthians em médio prazo.

(Foto: Pedro Martins/MoWA Press)

Em segundo lugar, porque Tite será obrigado a enfrentar a nata da nata do futebol mundial. As maiores seleções do continente, e futuramente, do mundo, serão adversárias de Tite constantemente. Será obrigado a aprender a vencer seleções com grandes nomes, como Messi, James Rodriguez, Bale, Lewandowski, Cristiano Ronaldo, Suárez, Pogba ou Müller, por exemplo.

Tite voltará para o Corinthians em alguns anos muito mais calejado. Muito mais futurista e visionário. Corrigindo falhas de avaliação e observação, como o Caso Marquinhos em 2012 (hoje indispensável para Tite na Seleção) e aplicá-­las todas no Corinthians.

(Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP/Getty Images)

Muito mais letal. Muito mais inteligente.

Um técnico bem mais global na América do Sul, como Jorge Sampaoli e Marcelo Bielsa, ambos com grande destaque na Seleção Chilena, e hoje na Europa, conseguiram. Não que Tite não seja, mas irá aperfeiçoar esta visão.

Torça muito por Tite na Seleção.

Vai ser ótimo para nós, em médio prazo.

Luís Butti é redator publicitário, compositor e corintiano das antigas. Adora música, polêmica e redes sociais. É a favor do mata-mata e vê na Arena Corinthians o seu “Jardim do Éden”…


Fonte: Goal.com

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