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Candidatos às eleições municipais no Brasil optam pela neutralidade

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Candidato prefeitura de So Paulo, Joo Dria diz que o foco local. Foto: Facebook/Divulgao

Há menos de um mês das eleições municipais, candidatos às prefeituras do Brasil apostam na estratégia de se manterem neutros sobre o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Para não afastar o eleitor médio, a maioria tem optado por manter um distanciamento do assunto. Especialistas avaliam que o caminho é o melhor neste momento de ânimos exaltados.

O analista de marketing político Marcelo Vitorino acredita que o comportamento se deve ao fato de que 65% dos eleitores são considerados médios — não são de direita, nem de esquerda. “Quando você se posiciona para esse público, sendo contra ou a favor do impeachment, já é tachado de ‘petralha’ ou ‘coxinha’”, explica.

Vitorino ressalta que, mesmo entre os petistas, a tendência é de que os candidatos escondam o impeachment. “Ninguém vai morrer abraçado com a Dilma.” Ele conta que quase nenhum dos candidatos pró-Dilma está falando em golpe ou usando roupas vermelhas na televisão. “O tempo de propaganda é muito pequeno para explicar um assunto como esse”, comenta. Para Vitorino, a possibilidade de candidatos petistas abordarem o assunto nas campanhas é em forma de desculpas. “Eles podem falar que o PT se deixou levar pela máquina eleitoral e que os erros servirão para que o partido se reconstrua.”

O professor de ciência política da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas avalia que as pessoas já têm opinião formada sobre o impeachment e os candidatos vão evitar dividir os eleitores. O discurso de golpe também não deve ser abordado porque, para o acadêmico, a imagem do PT sofreu um desgaste enorme. “Dificilmente, um candidato desse partido será eleito. Ele se manterá neutro e vai esperar a rejeição cair naturalmente.”

Candidato à prefeitura de São Paulo, o empresário João Dória (PSDB-SP) afirma que a campanha não mudará. “Esse assunto não foi tema em São Paulo. Não foi discutido por mim, nem pela Marta (Suplicy), nem por Haddad”. Segundo o candidato, o foco dele continua sendo a “a má-gestão do PT na prefeitura” da capital.

Em Porto Alegre, o ex-vereador Sebastião Melo (PMDB-RS) concorre à prefeitura e concorda que o impeachment não é pauta. “O resultado no Senado não teve qualquer impacto na nossa campanha porque temos compromisso com esses princípios democráticos, e o foco da eleição é municipal.” O concorrente ao posto de prefeito, o deputado federal Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS) acompanha a opinião do colega. “Nada muda. Continuaremos condenando os vandalismos praticados pelo PT e o PSol na cidade.”


Fonte: Diário de Pernambuco

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