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Candidatos enfrentam desafios de mobilidade. Saem do Marco Zero até a Praça de Casa Forte

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Postulantes Prefeitura do Recife saram do Marco Zero s 18h, em horrio de pico. Daniel foi sorteado para ir andando e chegou por ltimo. Levou 1h17. Joo Paulo utilizou txi, Priscila, Uber, e Carlos Augusto dirigiu o prprio carro. Foto: Paulo Augusto/divulgao

Cinco postulantes à Prefeitura do Recife participaram, nesta terça-feira (20), da quinta edição do Desafio Intermodal para fazer uma reflexão sobre como a mobilidade mexe com a qualidade de vida das pessoas. Daniel Coelho (PSDB), Carlos Augusto (PV), Edilson Silva (PSol), João Paulo (PT) e Priscila Krause (DEM) aceitaram o convite para explorar as ruas da cidade, saindo do Marco Zero até a Praça de Casa Forte, para reproduzir o percurso comum dos recifenses no horário de pico.

Os candidatos saíram do Marco Zero às 18h, mas cada um utilizou um modal diferente para se deslocar, enfrentando as dificuldades de quem anda de transporte coletivo ou individual. O prefeito Geraldo Julio participou de uma caminhada no Pina, no mesmo horário, recebendo críticas dos adversários por não participar dos debates e discutir os problemas da Recife. A capital pernambucana tem um dos trânsitos mais violentos do país.

O primeiro a chegar ao destino foi Edilson Silva, que utilizou uma bicicleta comum, levando 40 minutos e 06 segundos no deslocamento. Edilson disse ter sentido muita dificuldade com os bueiros e a falta de ciclovias,  o que o levou a dividir o mesmo espaço dos carros e levar buzinadas. “Você pode causar um acidente se fizer um movimento brusco e se chocar com um carro uma moto. Se você não fizer um movimento brusco, pode passar por cima de um bueiro e emborcar”, disse ele.

Carlos Augusto chegou com 42min5 7, dirigindo o próprio carro. Foi o único concorrente que declarou não ter sofrido estresse com o trânsito, porque estava conversando com amigos e escutando música durante o percurso. Segundo Carlos Augusto, no entanto, a prioridade de uma eventual gestão verde é investir em transporte público de qualidade, com ar condicionado e horários definidos, bem como faixa exclusiva de ônibus. “Você só vai conseguir tirar o carro das ruas se o usuário perceber que, perto da casa dele, tem um transporte público com ar condicionado, com frequência e que vai chegar muito mais rápido”, observou.

João Paulo, por sua vez, passou 46min32 dentro de um táxi, ao custo de R$ 31. Ele disse ter enfrentado engarrafamento grande nas imediações da Cruz Cabugá, onde recentemente houve uma mudança de trânsito feita pela prefeitura. “Há uma necessidade de se priorizar os corredores exclusivos para ônibus e táxi, reduzir o custo do táxi para que possa ter uma competitividade maior e priorizar as calçadas e ciclovias para que a população tenha um transporte mais agradável”, declarou, lembrando que, na sua gestão, tomou a decisão política de criar uma ciclovia em Boa Viagem.

A candidata do DEM, Priscila Krause, levou 1h02 minutos do Marco Zero a Praça de Casa Forte, usando Uber, e pagou R$ 46,33 em virtude da tarifa dinâmica. Priscila, que já se comprometeu em criar condições de competividade para os taxistas, de modo que eles possam conviver com o Uber, acredita que demorou mais porque o primeiro motorista cancelou o pedido, ao ver o movimento de fotógrafos, com receio de emboscada.  

Houve uma certa expectativa com a chegada de Daniel Coelho, porque ele veio andando e levou 1h17 minutos – quase o mesmo tempo de Priscila Krause e de José Mariano, candidato a vice do PSTU. José Mariano participou do evento no lugar de Simone Fontana, que estava concedendo entrevista a uma emissora de televisão e levou 1h06 de ônibus. Daniel declarou que, além das más condições das calçadas, um dos pontos que mais lhe chamou a atenção foi a falta de lixeiras e a escuridão das ruas.

Segundo Daniel Valença, associado da Ameciclo, um dos organizadores do evento, o desafio levou em consideração o tempo, a energia calórica (gasta), a emissão de poluentes e o custo. “O objetivo é reproduzir um percurso comum para os recifenses no horário de pico e, neste ano, o percurso feito pelo Uber ficou em último lugar, principalmente em relação ao tempo e ao custo”.

Outras pessoas também participaram da quinta edição do Desafio Intermodal. Embora a disputa não trate de velocidade, mas faça a avaliação de outros quanto itens, como os citados acima, o vencedor foi o “pedestre correndo”.

 

Candidato: Edilson Silva (PSol)
Modal utilizado: bicicleta passo comum
Tempo: 00:40:06

“Se a gente temciclovia ou ciclofaixa, eu teria chegado em 25 minutos. Eu vim pela Avenida Mário Melo, Rua da Hora, Avenida Rosa e Silva e 17 de Agosto. Mesmo eu estando colado no carro na minha frente, o carro de trás estava buzinando. Mesmo eu estando numa velocidade normal, ele buzinava. O outro desafio foi os bueiros, que representam um risco muito grande para os ciclistas. Você tem que andar muito ligado, porque se você se desviar deles, mesmo em velocidade baixa, você pode causar um acidente. Se fizer um movimento brusco, pode se chocar com um carro uma moto. Se você não fizer um movimento brusco, você pode passar por cima de um bueiro e emborcar.

Nós precisamos tomar uma decisão política de abrir espaço para a ciclofaixa e a ciclovia. Percebemos que existe um espaço para as bicicletas passarem entre os veículos e nós precisamos analisar, fazer uma pesquisa, ver qual é o tamanho da faixa de rolamento que temos hoje. Precisamos pressionar para que se elimine esses espaços que existem entre os carros. Aí, você vai ter que automaticamente diminuir a velocidade dos carros (para evitar acidentes). Esse espaço que as motos e bicicletas (entre os carros) usam você segrega para as bicicletas. Esse espaço entre os cargos é uma questão do código nacional de trânsito, a gente que estar nas grandes cidades a gente tem que brigar. Se tentou evitar que lobby de motos conseguiu frear isso. Ela faz isso com esse espaço que existe entre as faixas. Um metro de ciclofaixa, a gente chegava em 25 minutos”.

Candidato: Carlos Augusto (PV)
Modal utilizado: carro próprio
Tempo: 00:42:57

“Primeiro temos que investir em transporte público de qualidade e faixa exclusiva de ônibus. Você só vai conseguir tirar o carro das ruas se o transporte de massa for de qualidade, se o usuário perceber que perto da casa dele tem um transporte público de qualidade, com ar condicionado, com frequência e que vai chegar muito mais rápido. O usuário tem que ter um transporte onde possa ler um livro ou se divertir, só assim ele deixa o carro em casa. Temos que investir em ciclovias e ciclofaixas, já tem mais de 10% da população que anda de bicicleta e 23% das pessoas andam a pé”.
 

 

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Fonte: Diário de Pernambuco

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