Cinco Estrelas: Ábila, o homem gol celeste

Argentino vem fazendo justiça à camisa que um dia pertenceu a Niginho, Tostão, Marcelo Ramos e tantos outros ídolos imortais da Raposa.



GOAL Por João Henrique Castro


Um dos maiores desafios para um colunista é definir o título da sua coluna. Escolher uma metáfora ou outra figura de linguagem de impacto, se destacar em meio a tantos outros textos e reflexões sobre temas semelhantes. Afinal de contas, quando escrevemos, queremos chamar a atenção do leitor. Mas como fazer quando, o que tem a ser dito, é o óbvio?

Na noite desta quinta-feira, o artilheiro Ramon Ábila marcou pela sétima vez seguida com a camisa cinco estrelas. Repito: marcou pela sétima vez seguida com a camisa cinco estrelas. 

Marcar em sete partidas seguidas já é um feito extraordinário, mas quando um jogador faz isso defendendo as cores cruzeirenses a razão para admiração e encantamento é ainda maior. Não é só uma marca expressiva. É uma marca expressiva com a camisa do clube que amamos.

Confira os números de Ábila no Brasileirão e na Copa do Brasil:

Desde que chegou ao Cruzeiro, Ramon Ábila caminha a passos largos para se tornar uma referência da China Azul. Anunciado no dia 22 de Junho, há pouco mais de 2 meses, o argentino, que vinha de fim de temporada no seu país natal, praticamente não precisou de tempo de adaptação e desandou a marcar gols.

Com 92 gols em 234 jogos na carreira, Ábila parece estar em ascensão e ainda evoluindo. Os números de seus primeiros anos, aliás, eram bastante tímidos. Pelo Instituto, Sarmiento de Junín e Deportivo Morón, clubes de divisões inferiores na Argentina, Ábila não marcou muitos gols. Foram 23 em 105 jogos nas suas cinco primeiras temporadas como profissional, média de 0,22 gols por jogo.

A situação começou a mudar na temporada 2013/2014, quando Ábila retornou ao Instituto, na época na segunda divisão argentina. Com 7 gols em 16 jogos, a média subiu para 0,43 gols por jogo e rendeu uma transferência para o Huracán ainda na mesma temporada.

Em seus dois primeiros anos no Huracán, Ábila balançou as redes 37 vezes em 81 oportunidades. Duas delas, no duelo contra o Cruzeiro pela Libertadores de 2015 vencida pelos argentinos por 3×1 em Buenos Aires. Totalizando a média de 0,46 jogos. Pouco superior a que carregava no Instituto, mas contra rivais bem mais qualificados.

Ábila, 27 anos e em franca evolução (Foto: Alexandre Loureiro/Light Press/Cruzeiro)

A temporada 2016 começou e Ramon Ábila seguiu melhorando seus números. Em 15 jogos, foram 11 gols pelo Huracán. Média de 0,76 gols por jogo e o interesse de equipes como Cruzeiro e Boca Juniors.

Na disputa entre dois gigantes continentais, prevaleceu a melhor proposta da Raposa e Ábila passou a envergar o manto cinco estrelas. E como se fosse fácil, em 11 jogos já balançou a rede 9 vezes e elevou sua média para 0,82 gols por partida. Chamando a atenção da imprensa argentina, do Valencia da Espanha segundo a mídia espanhola e passando a ser cotado para vestir outra camisa celeste: a da seleção argentina.

Com a proximidade dos seus 27 anos a serem completados no dia 14 de Outubro, Ábila não é mais nenhum garoto, mas é nítido que ainda está evoluindo no futebol. A sua contratação tem se mostrado um grande acerto da diretoria e o jogador parece mostrar que pode ir muito mais além. E o torcedor celeste, acostumado a ter em suas grandes conquistas o protagonismo de meias cerebrais como Dirceu Lopes, Alex e Everton Ribeiro, parece não se incomodar de ter que apostar suas fichas em um goleador que vem fazendo justiça à camisa que um dia pertenceu a Niginho, Tostão, Marcelo Ramos e tantos outros ídolos imortais da Raposa.  

João Henrique Castro, é professor, historiador e, obviamente, cruzeirense. Daqueles que sabe que nada brilha mais no céu do que as cinco estrelas que traz no peito. 


Fonte: Goal.com

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