Desafios na retomada do crescimento econômico

Por Alexandre Rands Barros
Economista, PhD pela Universidade de Illinois -USA

 

Depois de longa crise com quedas sucessivas do PIB per capita, a economia brasileira já dá os primeiros sinais de retomada. Apesar de ter havido ainda uma queda de 0,57% do PIB no segundo trimestre de 2016 quando comparado ao trimestre anterior (série encadeada, preços de 1995 e com ajuste sazonal, IBGE), a formação bruta de capital fixo já cresceu 0,42% nessa mesma comparação. A indústria de bens de capital também tem mostrado pequeno crescimento nos últimos meses com dados disponíveis. No entanto, tudo indica que esta retomada será lenta, pois as perspectivas de crescimento do PIB em 2017 permanecem apontando para taxas baixas, em torno de 1,3% no ano.  Para 2018 as perspectivas são melhores, algumas projeções chegando a uma taxa anual de 4%.

Diante de tais perspectivas, uma pergunta óbvia que muitos brasileiros se fazem é se será possível assegurar um crescimento elevado e estável nos próximos anos. Infelizmente a resposta ainda não pode ser positiva. Para isso, serão necessários muitos ajustes estruturais, pois o arcabouço institucional do país hoje é perverso para o crescimento elevado. A maior deformação existente é a legislação trabalhista, que premia trabalhadores de comportamento pouco ético e com propensão à baixa produtividade. Ao tirar a flexibilidade das empresas para reconhecer os desempenhos individuais de seus trabalhadores, a legislação aumenta o spread sobre os salários que as empresas precisam praticar para bancar os custos com os maus trabalhadores. Restam penalizados, por isso, os trabalhadores mais éticos e empenhados. Ou seja, trata-se de uma legislação que transfere renda de pessoas mais éticas e produtivas para pessoas menos éticas e de baixa produtividade, sendo assim antidesenvolvimentista e inibidora do bem-estar social.

Além desse problema maior, há dois outros correlatos: o superdimensionamento da regulação do governo nas diversas áreas e o tamanho da máquina pública, com pouco serviço para a sociedade em retorno. Também cabe destacar o domínio no setor público de uma ideologia antiempresa e pró-burocracia, que também leva a uma redução tremenda da produtividade no país.

A preocupação maior do novo governo tem sido com o ajuste fiscal de curto prazo, apesar de também apresentar à sociedade propostas para ajustes de longo prazo, como as reformas trabalhista, fiscal e previdenciária. Essas propostas de ajuste, contudo, têm sido tímidas para as necessidades do país. Isso não quer dizer que elas não sejam bem-vindas, mas apenas que não permitirão ajuste rápido e eficaz da capacidade de crescimento sustentável de longo prazo. Representam apenas passos iniciais para as nossas reais necessidades. Propôs-se também uma regra que levará à redução do tamanho do governo no longo prazo (apenas correção monetária no aumento dos gastos públicos entre anos), mas cujos efeitos serão lentos.

Apesar de o Governo Temer estar indo na direção correta na abordagem de alguns problemas econômicos do país, ele o tem feito de forma tímida. Tanto no que se refere às medidas de ajuste de curto prazo para estancar a queda do PIB e controlar a inflação, como para permitir que a economia brasileira possa crescer mais que 2% no longo prazo. Por conseguinte, a retomada será lenta e o crescimento sustentável baixo nos próximos anos, se não houver uma mudança de estratégia de política econômica. Além disso, o governo atual não deve conseguir reduzir o tamanho e a ineficiência do estado, que são pontos atuais de estrangulamento importantes para o desenvolvimento brasileiro. As negociações no Congresso, até então, têm mostrado que ele permanece refém dos interesses corporativos do funcionalismo público.


Fonte: Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook