Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência é celebrado nesta quarta

De vendas nos olhos e bra
De vendas nos olhos e braos amarrados, as crianas vivenciaram na prtica o que ter uma deficincia. Foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press

O maior desafio da inclusão social é a mudança cultural. A conclusão da Academia Brasileira de Ciências (ABC) acaba de fazer 20 anos. Em 1996, realizou um estudo a fim de encontrar alternativas que poderiam amenizar as dificuldades e melhor integrar pessoas com deficiência com as famílias e as comunidades. Amanhã, é comemorado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Em todo o país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 14,5% da população têm algum tipo de deficiência — algo em torno de 25 milhões de pessoas. Os direitos dos deficientes estão garantidos na Constituição Federal, e o Brasil tem uma das legislações mais avançadas sobre o assunto (leia Proteção).

Para fomentar o debate, este ano, o tema da União dos Escoteiros do Brasil é Diferenças que nos unem. Somente no DF existem cerca de 40 grupos do tipo. No sábado, o Correio acompanhou um dia de atividades com 130 crianças e adolescentes, no Parque de Águas Claras. Aqueles que enxergam tiveram os olhos vendados para conhecer as sensações dos cegos. Os braços eram presos com fitas para se saber as dificuldades de quem não tem o membro. A inclusão não fica apenas no discurso. Cinco integrantes do Grupo Escoteiro Ave Branca têm algum tipo de deficiência. Entre eles, um chefe de equipe.

Clarisse, Ana Clara e Vinícius são deficientes e participaram da programação. Suas dificuldades, por um momento, foram substituídas por outras. O estímulo é para desenvolver aptidões e sensibilidades nos meninos. O aprendizado vai além da prática e ataca o problema identificado pela Academia Brasileira de Ciências. O essencial para se avançar na inclusão é desmistificar a deficiência e treinar o cidadão para as diferenças.

“Sou mãe de uma menina linda de 8 anos que teve paralisia cerebral e que faz parte do Grupo Escoteiro Ave Branca, em Águas Claras. Clarisse está participando das atividades há seis meses e já podemos observar o quanto está sendo importante para o seu desenvolvimento.” A apresentação é da professora Juliana Dantas, 40. Ela foi escoteira dos 15 aos 21 anos e agora voltou para acompanhar a filha. “São essas atitudes que fazem o comportamento da gente mudar. Temos que ser atuantes e brigar por avanços”, ponderou.

A lição não é apenas discurso. A menina sofreu preconceito na escola. “Uma mãe disse que ela não poderia estudar com os outros porque a Clarisse não sabia se comportar”, conta. A represália surgiu após um arranhão entre as crianças. “A Clarisse não é agressiva. O que acontece, às vezes, é ela não ter a dimensão da força dela. O toque é para chamar a atenção”, explicou Juliana. Hoje, Clarisse estuda numa instituição pública em uma classe adaptada,  com 18 alunos. Além do docente, há uma monitora exclusiva. No sábado, Clarisse tocava objetos com os pés como se fosse deficiente visual.

Convivência

Ana Clara Terra, 9 anos, nasceu com uma malformação no braço direito. “Percebo o preconceito desde quando ela nasceu. No supermercado, por exemplo, as pessoas se cutucam e comentam”, conta a corretora de imóveis Joelma de Carvalho Lima, 45, mãe da menina. Há um ano e meio, ela entrou para o grupo de escoteiros. A atividade virou o hobby da garota. “Ela gosta de participar. Os colegas também ajudam nas tarefas e isso traz ensinamentos para as duas crianças e para as duas famílias.”

Ana teve que ficar de pés descalços para uma brincadeira. Dispensou o auxílio de uma colega para calçar o tênis. “Pode deixar, eu consigo sozinha”, alertou. Ana ainda ajudou uma outra menina em uma atividade sensorial. Ela abraçou uma porção de objetos e, aos poucos, entregava os itens para o reconhecimento no tato. Os exemplos de superação são reverberados pelas crianças. Tamara Neil, uma das diretoras do Grupo Escoteiro Ave Branca,  explica que a cada experiência — de superação ou de dificuldade — quebram barreiras comportamentais. “A convivência traz naturalidade ao cotidiano. Para as crianças, isso é mais fácil”, avaliou.

Mobilização

O Dia Nacional de Luta das Pessoas Deficientes foi instituído pelo Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes (MDPD) em um encontro nacional, em 1982. Foi escolhido 21 de setembro pela proximidade com a primavera e o Dia da Árvore, numa representação do nascimento das reivindicações de cidadania e de participação plena em igualdade de condições. A data foi oficializada na Lei Federal nº 11.133, de 14 de julho de 2005.


Fonte: Diário de Pernambuco

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