Últimas

Do calote e assalto a parceria de sucesso com Balotelli: Dalbert, a surpresa do time sensação da França

Destaque do Nice, lateral-esquerdo sofreu nos primeiros meses em Portugal e até pensou em desistir da carreira




GOAL Por Bruno Andrade


O pequeno “Kinder Ovo” de Barra Mansa, na região sul do Rio de Janeiro, cresceu, tem 23 anos, não é mais viciado em chocolate, mas ainda segue se surpreendendo com as peças que surgem na montagem de uma carreira no futebol. Em menos de três anos, o lateral-esquerdo Dalbert foi dispensado pelo Flamengo, sofreu calote de dirigentes e teve a casa assaltada em Portugal – posteriormente deu a volta por cima ao ser eleito o melhor jogador da posição na segunda divisão – e hoje divide os holofotes com Balotelli no modesto Nice, o time sensação do Campeonato Francês.

Revelado pelo Barra Mansa e também com passagem pelas divisões de base de Audax Rio e Fluminense, Dalbert chegou no futebol português no fim de 2013, após não brilhar pelos juniores do Rubro-Negro. Contratado pelo pequeno Acadêmico de Viseu, ele não demorou muito para perceber que, apesar de estar na Europa, as dificuldades ultrapassam as fronteiras. 

“Primeiro, sofri com lesões, adaptação, frio, alimentação… Não foi fácil. Depois, vi que o clube não cumpria com as obrigações. Fiquei sem receber salário, o presidente demorava de dois a três meses para pagar e vivia contando mentira aos jogadores. Não passei fome, mas cheguei ao ponto de não ter dinheiro para repassar aos meus familiares. Foi desumano. Para piorar, fiquei ilegal no país. Excedi o período de três meses como turista e, para não piorar a situação, precisei tirar do meu bolso o dinheiro para conseguir a regularização o quanto antes”, revelou Dalbert, em entrevista ao Blog Ora Bolas.

“O clube não se preocupou comigo, enfrentei diversas dificuldades. O dia mais triste foi quando, já sem dinheiro, tive as roupas de frio roubadas. Deixei elas secando na varanda, mas entraram no apartamento e levaram tudo. Passei frio. Naquele momento o meu psicológico foi lá embaixo, chorei e tive vontade de largar tudo. Felizmente, tive muito apoio da minha família e do meu empresário (Emerson Figueiredo)”, completou.

Mesmo diante de tantos obstáculos, o jovem jogador criado pela avó paterna e que na adolescência trabalhou como feirante e ajudante de pedreiro conseguiu se destacar dentro das quatro linhas. Na temporada 2014/15, o Acadêmico de Viseu não obteve o acesso à primeira divisão, mas o brasileiro foi eleito o melhor lateral-esquerdo da II Liga (segunda divisão). Valorizado, ele fechou com o Vitória de Guimarães, tendo antes recusado propostas de Rio Ave e Paços de Ferreira.

As boas atuações na divisão de acesso foram mantidas na elite na temporada 2015/16. Vendido para o Nice por aproximadamente dois milhões de euros em junho deste ano, o reforço assumiu a titularidade de imediato (participou dos sete jogos oficiais) e começou a ganhar moral antes mesmo das chegadas das principais contratações: o zagueiro brasileiro Dante e o atacante italiano Mário Balotelli.

“Admito que não esperava ver o Balotelli aqui. Quando li que ele estava sendo contratado, fiquei piscando e esfregando os olhos para acreditar, parecia um sonho. É não é que era verdade? O Balotelli chegou tranquilo e rapidamente mostrou ser um cara muito gente boa. Ele é simples, trabalha forte, discute tática no treino… Está longe de ser o jogador polêmico que tanto falam. É um jogador diferenciado e que tem tudo para voltar a ser o Balotelli que todos conhecem. Eu, aliás, já vejo ele como o principal atacante atuando na França”, elogiou.

Com quatro gols em dois jogos, Balotelli briga pela artilharia do Campeonato Francês (Lacazette, do Lyon, é o artilheiro – com seis) e tem ajudado a evidenciar o grande momento do Nice, que está invicto na competição (quatro vitórias e dois empates) e, se vencer o Nancy neste domingo, retomará a liderança de forma isolada – o time do Sul do país também disputa a Liga Europa (no Grupo I, ao lado de Schalke 04, Krasnodar e Red Bull Salzburg).

“Ninguém esperava o Leicester campeão na Inglaterra, certo? É um belo exemplo. Nosso principal objetivo é conquistar uma vaga na Liga do Campeões, mas, já que começamos tão bem, não custa nada sonhar com o título. É muito cedo para falar que o Nice será campeão ou que conseguirá uma vaga em uma competição europeia, mas temos pontencial e confiamos no sucesso. Eu confio em mim. Cresci muito nos últimos anos, mas, com força e humildade, quero ainda mais. Ainda sou o Kinder Ovo lá em Barra Mansa, é assim que os meus familiares e amigos me veem (risos)”, finalizou.

Atentando em Nice ainda gera receio

Dalbert chegou a Nice dois dias antes do massacre que matou 84 e feriu mais de 200 pessoas. O lateral-esquerdo brasileiro, no entanto, estava fora da cidade realizando pré-temporada na trágica noite de 14 de junho.

“É impossível esquecer o que aconteceu aqui, o sofrimento foi muito grande. Hoje, felizmente, o clima está melhor, as pessoas perceberam que é preciso continuar vivendo. Eu, por garantia, ainda procuro sair pouco de casa e tento não frequentar lugares movimentados. Não custa nada evitar. A cidade é linda, gosto muito daqui”, contou.


Fonte: Goal.com

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook