Últimas

Editorial: O combate aos resíduos

Entre os problemas que o país enfrenta, um que não merece a devida atenção é o tratamento dado ao lixo nos milhares de municípios brasileiros. O país patina quando o assunto é o destino dos resíduos sólidos e orgânicos, o que pode ser comprovado por uma informação preocupante: apenas 3% dos resíduos sólidos urbanos no Brasil são reciclados, de um total de 76,8 milhões de toneladas. Para enfrentar esse grande desafio, os governantes têm de implantar uma política de coleta seletiva para a transformação, por meio da compostagem, do lixo orgânico em adubo.

Os dados do Índice de Sustentabilidade em Limpeza Urbana para os Municípios Brasileiros impressionam. Somente no estado de São Paulo, campeão na produção de lixo, o número de aterros sanitários precários aumentou 52% no ano passado, em comparação com o ano anterior.

Esforços são feitos na tentativa de solucionar o problema, mas o país está longe de equacioná-lo. As questões mais desafiadoras são a falta da coleta seletiva; manutenção de lixões; falta de pagamento pelas prefeituras dos serviços contratados; descaso ou desconhecimento da população; e as doenças que proliferam nos depósitos de lixo. Diante deste quadro, é mais do que urgente a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, prevista para 2010.

O descarte de produtos eletrônicos é um dos mais preocupantes, pelo seu potencial de poluição e até como causador de problemas de saúde, mas tem sido negligenciado no Brasil. De acordo com especialistas, no país, mais de 500 milhões de aparelhos eletrônicos sem uso encontram-se nas residências, uma verdadeira bomba de efeito retardado. São Paulo lidera o ranking dos produtores de resíduos eletrônicos (448 mil toneladas), seguido do Rio de Janeiro (165 mil toneladas) e Minas Gerais (127 mil toneladas).

A solução para esse grave problema tem de contar com a vontade política das autoridades. Sem um engajamento sério na implantação de uma política de tratamento do lixo produzido no Brasil, a população é que continuará sofrendo os danosos efeitos dessa anomalia.


Fonte: Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook