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Editorial: O planeta pede socorro

O planeta exauriu sua capacidade de prover o consumo da humanidade. Em pouco mais de sete meses, esgotamos os recursos naturais necessários para atender, durante 12 meses, as necessidades de consumo de todo o mundo, ou seja, neste ano precisaríamos de 1,6 do planeta Terra para equacionar a demanda do consumo do ser humano, diante do crescimento populacional e da capacidade da natureza de oferecer os recursos necessários.

Medidas já foram tomadas, diante da gravidade do problema, pelos governantes globais, ainda que tímidas. Há de se fazer muito mais, tendo no horizonte a mudança do atual modelo de desenvolvimento para a economia sustentável, de baixo carbono, conforme sacramentado no Acordo de Paris. O que mais preocupa os especialistas em meio ambiente é que, apesar de iniciativas visando o aumento da produção de energia limpa, por exemplo, o consumo não sustentável vem crescendo em escala geométrica.

As autoridades mundiais precisam perseguir a redução da emissão de carbono, de longe o principal problema ambiental na esfera global. De acordo com dados levantados pela ONG Global Footprint Network, para reverter o processo de esgotamento dos recursos naturais do planeta, será necessário reduzir as emissões de carbono em 30%, conforme previsto pela Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU).

Os governos têm de sair de suas respectivas zonas de conforto e encarar a questão com a implantação de medidas eficazes para a proteção do planeta, pois a fome é uma das mais nefastas consequências do aquecimento global. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alerta que as mudanças climáticas ameaçam a segurança alimentar na América Latina e no Caribe. No Brasil, o Nordeste é a região mais afetada pelas mudanças no clima, além de consideráveis partes da Amazônia. O racionamento de água em cidades do Sudeste também serve de alerta para as autoridades.

Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente afirma que está em curso a exploração predatória da Terra, com a retirada sem controle eficaz da biomassa nos últimos 40 anos, a extração mineral e o uso de combustíveis fósseis como causa mais grave para o esgotamento do planeta. Não se deve mais esperar a efetiva mudança no modelo atual de desenvolvimento para o da economia sustentável, que pode impedir o desaparecimento de recursos naturais para as gerações futuras.


Fonte: Diário de Pernambuco

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