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Em apenas um jogo, Tite conseguiu o que Dunga foi incapaz

Contra o Equador, o Brasil jogou pra frente… e sem esquecer do equilíbrio e organização que ajudam na estrutura básica de uma equipe


GOAL Por Tauan Ambrosio 


A chegada de Tite à Seleção Brasileira foi envolta de otimismo, fruto de um passado recente completamente obscuro para o Escrete Canarinho. Em sua primeira convocação, o treinador levantou debates com alguns nomes. Mas a verdade é que a sua estreia impressionou positivamente.

E não apenas pelo resultado maiúsculo, embora ele tenha colocado um fim a 33 anos sem vitórias jogando como visitante no Equador. Em seu primeiro jogo, Tite conseguiu fazer o que Dunga foi incapaz em toda a sua última passagem: deu um padrão à altura do que uma camisa como a da Seleção pede.

A escalação usada foi o tão querido 4-1-4-1. Na defesa, a tradicional linha de quatro (Dani Alves, Marquinhos, Miranda e Marcelo). Casemiro ficou mais preso à frente da zaga, dando segurança e ajudando na qualidade da saída de bola. O camisa 5 acertou 90,6% dos seus 53 passes – na maioria das vezes curtos, ajudando na dinâmica da transição.

De volta à Seleção, Marcelo também participou muito bem (Foto: JUAN CEVALLOS/AFP/Getty Images)

Mais preso a uma função defensiva, a mesma que exerce tão bem no Real Madrid, Casemiro também liberava Paulinho e Renato Augusto a apoiarem lá na frente. Os dois meio-campistas ajudaram a dar ao ataque uma constante movimentação que deixou os equatorianos tontos.

Casemiro deu o equilíbrio para Renato Augusto e Paulinho levarem perigo (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)

Apenas no primeiro tempo, o Brasil arriscou o total de chutes (6) que o Equador conseguiu em todo o confronto. O problema era acertar a mira. Tentativas quase sempre com perigo, seja de dentro da área (1 no primeiro tempo) ou de fora (5, na etapa inicial). Gabriel Jesus ainda não havia estufado as redes, mas demonstrava vigor ao combater a saída de bola. Neymar e Willian não eram tão incisivos, mas exerciam importante função tática pelos lados.

E se alternavam de posição, de maneira organizada, com Renato Augusto e Paulinho.


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O segundo tempo premiou a postura da Seleção. Depois de esbanjar chutes para fora, o placar foi aberto aos 72’. Gabriel Jesus entrou na área e foi derrubado pelo goleiro Alexander Domínguez. Neymar bateu bem, e além de colocar o Brasil na frente deu mais confiança nos arremates.

Neymar teve boa atuação, mas a Seleção não dependeu exclusivamente de seu talento (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)

Posição média do Brasil (4-1-4-1) contra o Equador

Tanta, que Gabriel Jesus aproveitou o cruzamento rasteiro de Marcelo para, meio que de calcanhar, ampliar. Pouco depois, em jogada de velocidade, Neymar centralizou o passe para o xodó palmeirense. Com dois toques, o camisa 9 girou e bateu. Golaço!

Gabriel Jesus, o nome do jogo (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)

A estreia de Tite foi tão boa quanto a de Gabriel Jesus. Mesmo jogando na altitude (em um planejamento muito bem feito pela comissão técnica), o Brasil teve fôlego para ter segurança na defesa e rapidez na construção dos ataques. Equipe estruturada, com movimentações conscientes e mostrando noção dos fundamentos táticos do esporte. A parte técnica os nossos jogadores têm. E é por isso que a exigência na Seleção tem que ser até mais alta do que os 2,850m da cidade de Quito.

O Brasil terminou a partida com mais posse de bola (61,1%), e a maior parte do tempo no campo adversário. Na defesa, mostrou segurança. No meio, a dinâmica certa e no ataque entrosamento absoluto entre Neymar (que embora tenha sido decisivo, não viu o time extremamente dependente de seus talentos) e Gabriel Jesus. Tite teve a estreia dos sonhos e já mostrou um pouco do seu trabalho, mas foi apenas o primeiro episódio de uma história que começa a ser escrita.


Fonte: Goal.com

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