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Em debate com empresários, João Paulo fala do Estelita e de obras inacabadas

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Obras inacabadas da Prefeitura do Recife, atraso de pagamentos e construção do Novo Recife, no Caos Estelita, foram temas centrais de um debate que o prefeiturável João Paulo (PT) participou nesta segunda-feira com empresários da construção civil e outros profissionais da área. João Paulo foi pressionado pelos presentes a deixar claro o que pensa sobre as mudanças no Cais Estelita, que fica liga os bairros de São José e do Cabanga. Ele também falou sobre como pretende honrar os pagamento de obras realizadas pelo município.

Empresários reclamaram que há muitos investimentos e trabalhadores à espera do projeto Novo Recife, ressaltando que até as obras estão engessadas por conta da pressão de movimentos sociais. O debate foi realizado pelo movimento Reciprocidade, criado pelo Sindicato da Industria da Construção Civil no Estado de Pernambuco (Sinduscon) em parceria com Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi).   

A mediação do encontro, que se sucedeu a um almoço, foi feita pelo presidente do Sinduscon, Gustavo de Miranda. João Paulo afirmou que sua intenção é abrir o diálogo e negociar o máximo possível em relação ao Novo Recife, mas ele ressaltou que, se houver algo irregular, terá de suspender o projeto, o que gerou alguns protestos entre os empresários.

João Paulo informou que não poderia esconder a sua posição,  como outros fazem, porque a cidade precisa ser pensada como um todo e de forma metropolitana. “Ouvi na semana passada que o senhor pretendia desapropriar o terreno e isso me causou um espanto muito grande. De qualquer forma, é oportuno ter uma posição. O Pior é não ter posição”, disse Gustavo de Miranda.

O ex-prefeito do Recife também recebeu elogios e ouviu queixas de empresários da construção civil. Alguns disseram que a prefeitura atual está escolhendo que obras deve ou não pagar, o que causa uma instabilidade no seguimento. “O Recife está repleto de obras inacabadas… Qual será sua prioridade?”, indagou Tonico –.

A vice -presidente da CBIC, Betinha Nascimento, ressaltou também estar preocupada com a postura de João Paulo sobre o Novo Recife, porém ela ressaltou que ele, como prefeito (2001-2008), sempre ouviu as duas partes para encontrar um equilíbrio. “Todas as empresas que estão envolvidas no Novo Recife são idôneas, não temos nenhuma ligação com a Lava-Jato. Mas eu tenho certeza de que, antes de qualquer coisa,  o senhor vai ouvir o setor  e não vai decidir nada de cima para baixo”, disse Betinha.  

João Paulo explicou que, se assumir a prefeitura,  terá mais experiência. Ele disse que o Recife precisa ter uma posição protagonista na Região Metropolitana e realizar mais parcerias, seja com o governo federal ou estadual. “Vamos resgatar o protagonismo que o Recife tem. Vamos buscar parcerias que Geraldo (Julio) não conseguiu fazer nem com o governador Eduardo Campos, nem com Paulo Câmara”, alfinetou, lembrando as parcerias que fez com o então governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), de tal maneira que se preocupou em concluir e inaugurar obras na Mustardinha com ele, dividindo o mérito. Segundo João Paulo, o fato de Jarbas e ele estarem em campos opostos nunca dificultou a administração da cidade.

Um dos presentes, cujo nome ficou inaudível para a reportagem,  fez críticas aos “movimentos sociais” que ganharam muito poder e espaço – “muito mais pelo tom que adotam do que pelo conteúdo”. Depois, ele disse a João Paulo, no microfone, que o petista sabia de quem ele estava falando, referindo-se a líderes do movimento Ocupe Estelita, uma vez que três viraram candidatos a vereador. “Esses movimentos estão onerando o nosso setor, provocando feitos danosos. O senhor acredita na democracia representativa (àquela delegada aos vereadores)?”, indagou, perguntando se João Paulo iria priorizar os movimentos sociais ou escutar os vereadores.

João Paulo respondeu não ser mais possível defender o antagonismo de classes dessa forma, mesmo ele tendo sido formado numa escola marxista. “A forma como o senhor abordou a questão leva ao antagonismo de classe. Quando eu fui prefeito, busquei dialogar e negociar com cada setor e entendo que todas as partes têm que ceder. Não podemos colocar o povo contra os empresários!”, disse para depois completar. “Acho que o momento é muito delicado, mas eu não posso patrulhar ninguém. Acho que a forma como senhor abordou não vai ajudar em nada. Precisamos viver um momento de conciliação”, continuou, afirmando que o próprio segmento empresarial está tentando se adaptar para construir uma cidade mais humana.

Gustavo de Miranda se disse desconfortável com o fato de João Paulo ter dito que “poderia” suspender o Novo Recife em virtude da pressão do que ele considera “minorias”. “A maneira como a gente está sendo destratada… quiseram até nos destituir da CDU”,  desabafou.

O presidente da Sindicato da Habitação do Estado, Elísio Júnior,  frisou estar surpreso com a possibilidade levantada por João Paulo de admitir a hipótese de desapropriar o terreno onde deve ser construído o Novo Recife. João Paulo fez a ressalva que, enquanto prefeito, um dos poucos pontos que precisou tomar decisões drásticas, porque nenhum dos lados recuava, foi no tocante ao transporte coletivo. “Temos que ter muito cuidado com o que vai  ferir a cidade nos próximos anos e ter diálogo com os dois lados. Eu pago um preço muito alto pela construção das Torres Gêmeas até hoje”, afirmou o ex -prefeito, lembrando, por outro lado, de obras que fez que mudaram a face do Recife quando era prefeito, como a paralela da Caxangá e o projeto da Via Mangue, concluído por Geraldo Julio.

O petista lembrou, ainda, que teve um impasse com empresários no tocante à construção da passarela no Paço Alfândega, no Bairro do Recife, porque tanto ele quanto seus assessores eram contra, mas ele ressaltou que diálogo abriu portas. O petista disse que perguntou ao arquiteto Paulo Mendes da Rocha se poderia construir uma passarela ao invés de duas e perguntou se ela podia ser destruída caso o Paço Alfândega não desse certo. Ao ouvir um “sim”, o projeto da passarela foi acatado.

Ex-prefeito assume compromisso de criar um cronograma de pagamento

Os empresários reclamaram que a atual gestão não estava honrando os compromissos financeiros, muitas vezes priorizava pagamento de grandes obras, que tinham acabado de começar, ao invés de pagar valores menores e mais antigos. “Não é justo que o secretário ou o prefeito escolha a quem pagar. Eu estou muito preocupado com a situação da prefeitura, porque o número de cargos foi muito ampliado e não tem dinheiro para pagar as obras. Conto com a participação de vocês para a gente corrigir metas”.  

O candidato à prefeitura anunciou que, no caso de vitória, iria criar um cronologia de pagamentos para quem está realizando obras. “Será uma das prioridades da gestão. Sabemos que vocês representam 23% da economia da cidade”, ressaltou.
   
UBER
João Paulo também falou mais uma vez sobre o Uber. Disse que Geraldo Julio fez uma reunião “na calada da  noite” para dizer que o Uber era irregular, mas ele garantiu discordar. Alegou que o sistema de transporte caiu nas graças da população e já está incorporado na cidade. O que precisa agora, acrescentou, é encontrar uma fórmula onde os dois possam trabalhar. “Precisamos de um equilíbrio em tudo”.


Fonte: Diário de Pernambuco

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