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Estudo americano aponta que discursos políticos emocionais funcionam melhor

Palavras ditas com fervor, gestos largos e voz embargada s
Palavras ditas com fervor, gestos largos e voz embargada so recursos muito comuns nos discursos de candidatos Arte: Valdo Virgo/CB/D.A. Press

“A política é a arte de captar, em proveito próprio, a paixão dos outros.” Ao descrever de forma bastante crítica a atuação dos políticos, o escritor francês Henry de Montherlant destacou um aspecto muito valorizado nas personalidades públicas: a capacidade de emocionar as pessoas. Palavras ditas com fervor, gestos largos e voz embargada são recursos muito comuns nos discursos de candidatos, que buscam, dessa forma, sensibilizar e convencer os eleitores.

Essa, no entanto, é mesmo a melhor estratégia para um político? Um estudo realizado por especialistas dos Estados Unidos sugere que nem sempre. Segundo os especialistas, a tática funciona muito bem em momentos de crise, especialmente econômica, quando a população se mostra fragilizada e amedrontada. Em épocas em que a situação está mais estável, porém, esse tipo de discurso não surge tanto efeito, com os eleitores preferindo candidatos que se mostrem mais equilibrados e sóbrios.

Principal autor da pesquisa, o pesquisador da Universidade Estadual de Ohio David Clementson conta ao Correio que sentiu vontade de investigar o tema ao trabalhar em campanhas políticas norte-americanas. “Quando um político deve usar de alta intensidade na retórica e quando deve utilizar a baixa intensidade? Eu queria explorar como as variações de linguagem impactam a credibilidade, a confiabilidade e as percepções de um candidato presidencial — e se isso depende do fato de os eleitores sentirem que estão em um bom momento econômico ou não”, diz.

Duas opções
No trabalho, publicado na edição mais recente da revista especializada Presidential Studies Quarterly, Clementson analisa dados colhidos durante a eleição de 2012, na qual o presidente Barack Obama conquistou a reeleição. O analista e seus colaboradores contaram com a participação de 304 universitários, que, após lerem o discurso de dois candidatos, deveriam apontar qual deles parecia ser mais “presidenciável” e “mais digno de confiança”.

Os voluntários, porém, foram divididos em dois grupos. Para o primeiro, foi dito que os discursos haviam sido escritos para um momento em que a economia do país estava forte, a ponto de metade dos empréstimos para bancar a faculdade poderem ser perdoados e uma alta taxa de empregabilidade para jovens recém-formados. A outra parte dos participantes ouviu uma descrição oposta. Para esses, foi dito que a economia estava em recessão, o desemprego estava alto e as dívidas de universitários precisariam ser cobradas em um curto prazo.


Fonte: Diário de Pernambuco

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