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João Bosco Tenório Galvão: Chico, Caetano e Gil

Por João Bosco Tenório Galvão

Advogado

Não consigo perder as esperanças no Brasil, apesar dos pesares. Hoje assistimos a uma mudança de comportamento advinda de novas informações e demandas diversas, onde nem tudo que reluz é ouro, nem todo sorriso é retrato de alegria, nem toda lágrima reflete uma tristeza.  O senso crítico nacional se aprimora e nossas aspirações tem melhor protocolo de expressão, pois que fundamentadas em especiais comparações entre o legal e o ilícito. Passamos mais de trezentos dias nos dramas do impeachment de Dilma e do afastamento de Eduardo Cunha. Partos demorados mas milagrosos. 

Entre mortos e feridos sobreviveram todos, pois aqui é a terra do jeito traumático incruento, da solução inimaginável, do grito silencioso e da pressa protelatória. A Independência nacional foi pobre de martírios, a proclamação da  República foi golpe entre amigos, a ditadura getulista foi popular, a dos militares foi aplaudida em grandes marchas populares pelas ruas do Brasil e derrotada por um mineiro jeitoso, que assumiu o comando dos descontentes e injustiçados. A inflação de 80% ao mês sumiu num passe de mágicos, apesar dos protestos erguidos contra o Plano Real.  

Tudo sem ser disparado um só tiro. Em várias oportunidades tive o sentimento de que o Brasil seria um país excessivamente aberto e, como tal, vulnerável à sanha de aventureiros como Jânio, Collor,  Sarney  e alguns outros adeptos da álea política. Igualmente na área econômica, onde fortunas volumosas saem do nada, edificadas em algum favor do poder público, sempre aberto aos assaltos das sortes insanas, para não chamá-las vis. O mal no Brasil tem muita sorte, porém, ela também acaba. Passamos agora um período lamentável e inacreditável. O Brasil, esse País excessivamente aberto, foi cobiçado por forças políticas arautas da probidade. Na quarta tentativa atingiram o poder. Confesso que, ingenuamente, tive a expectativa do país mudar, pois diziam: a esperança vencerá o medo! Também era dito que a riqueza construída durante o dia nos era roubada na calada da noite. A esperança foi frustrada. Fomos roubados diuturna e noturnamente … só rindo para não chorar.  

Passada a recente história com a mudança de presidentes em obediência à Lei e ao clamor popular, as vozes de  Chico, Caetano e Gil se levantaram em protestos. Todos três fazem parte da minha história pessoal de alegrias, amores e queixumes. Pois encarei os belos olhos fundos, guardiões da dor de Carolina, e atoa na vida parei para ver a banda passar… em movimento caminhei sem lenço e sem documento e num domingo sem rumo achei um parque onde  dancei um samba de roda, tomando uma Coca Cola nos braços de uma camponesa, guerrilheira manequim… e antes que o dia arrebente, dou um viva à liberdade de expressão, enaltecendo e abraçando os três artistas  e de modo especial o meu amigo Gil dos tempos da Unicap, lembrando os versos do refrão popular: o ladrão é ladrão e o boi é boi o caso eu conto como o caso foi!


Fonte: Diário de Pernambuco

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