Últimas

Marly Mota: Um emblemático mês de agosto

Por Marly Mota

Membro da Academia Pernambucana de Letras

As derradeiras nuvens da estação apagando a visão das paisagens trazendo os ventos ruidosos, com o sol se infiltrando nas sombras, incitando a meninada a soltar papagaios de papel. Lembranças municipais, e de outros mundos, que me ficaram no espírito. O emblemático mês de agosto, consagrado a eventos comemorativos, pelos 55 anos da Sociedade Eça de Queiroz fundada em 1948, por iniciativa e idealismos dos escritores queirozianos Paulo Cavalcanti, e Silvino Lopes, ambos, nossos amigos, meus e de Mauro Mota, que nesse dia 16 fazia aniversário. Há época, na Fundação Joaquim Nabuco em sessão concorrida foi celebrado o centenário de morte de Eça de Queiroz. Nessa oportunidade, na Galeria Baobá da Fundação, expus em homenagem ao grande escritor as “Cenas Ecianas” foram doze quadros, com, com 57 ilustrações interpretadas dos livros, Os Maias, O Crime do Padre Amaro, A Cidade e as Serras, o belo livro, que a discrição nos faz ver e sentir as palavras mágicas de Eça, sugerindo um mundo de paisagens.

Na mesma época, o nobre Gabinete Português de Leitura expõe: “Percurso da Geografia Queiroziana, da Biografia a Ficção,” de Portugal, guiada pelo escritor Manuel Lopes, estudioso da obra de Eça de Queiroz. Por coincidência, a exposição que trouxera de Portugal, juntara-se às “Cenas Ecianas, expostas no mesmo espaço vista pelo escritor Lopes, que convidou-me a expor em Portugal.

Como num tapete mágico, as Cenas Ecianas, atravessaram o oceano para, em conjunto com o “Percurso da Geografia Queiroziana”, caminharem pelas cidades de Portugal. Em Lisboa meus amigos, Embaixador Dário Moreira de Castro Alves e Rina, sua mulher, nas visitas ao Recife, por duas vezes, almoçaram no meu apartamento com meus filhos e amigos comuns; casais Gladstone Vieira Belo, Dagoberto Carvalho Jr, José Quidute, Fernando da Cruz Gouvêa, Cyl Gallindo, Rina Castro Alves, brincalhona chamava Golo lindo; meu filho Maurício, de Bom-rício. De volta a Lisboa, o casal levou amigos à minha exposição no Instituto Camões, enviando-me fotos e notícias de jornais. Castro Alves, grande estudioso da obra de Eça de Queiroz, foi o idealizador dos jantares queirozianos, realizados no nobre Restaurante Tavares, em Lisboa, com presença de eméritos conhecedores da obra queiroziana: A Campos Matos, o maior biógrafo, “do pobre homem da Póvoa de Varzim,” Celso Pontes entre outros. Do amigo, embaixador Dário, veio o incentivo para que realizássemos esses jantares em Pernambuco.

O médico, escritor Dagoberto Carvalho Jr, conhecedor da obra de Eça de Queiroz, presidente por 20 anos da nossa Sociedade Eciana, ao lado de Ana Cristina, sua mulher, minha amiga. Entre os muitos livros que escreveu, presenteou-me com o livro: “Jantares Ecianos do Recife,” Memória lítero-gastronômica) 1993 -2013. Os também ecianos Gladstone Vieira Belo, Hélio Coutinho Filho e José Rodrigues de Paiva, dele, é o prefácio: “O livro agora publicado faz história: salva do esquecimento, a que o tempo tudo condena, uma fase áurea da vida da Sociedade Eça de Queiroz do Recife.” Enquanto durou a presidência do amigo Dagoberto Carvalho Jr. ficaram enumerados jantares Ecianos, em Restaurantes do Recife, em cidades de Olinda. Goiana, Gravatá, Porto de Galinhas e mais além em Teresina e Oeiras. 35 foram a soma dos jantares em Petite comitê, enumerados com ementas vinculadas às datas comemorativas. Lembro, aos amigos leitores de Eça de Queiroz, que, o Recife, é a cidade mais eciana do Brasil.


Fonte: Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook