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Neymar escolheu a hora certa para decidir e, mesmo mal, ajudou o Barça sem Messi

O brasileiro não encantou, mas apareceu quando necessário para ajudar na vitória sobre o Gladbach… que sentiu muito a saída de Raffael


GOAL Por Tauan Ambrosio 


Muitos são os elementos responsáveis para considerar um jogador craque ou não. A capacidade de decidir partidas, mesmo quando joga mal, é um destes critérios. E foi exatamente o que aconteceu com Neymar nos 2 a 1 do Barcelona sobre o Borussia Monchengladbach, nesta quarta-feira (28), pela segunda rodada da fase de grupos da Champions League.

Com a equipe espanhola ainda desfalcada de Messi, o camisa 11 recebeu toda a liberdade para se movimentar nas posições de ataque. Não era mais preciso ficar tão preso à ponta-esquerda. Neymar começou animado, obrigando Sommer a fazer uma boa defesa logo aos seis minutos de jogo, na primeira grande oportunidade do confronto.

O Gladbach mostrava um fôlego enorme para atrapalhar o trabalho de passes do Barça, que sempre teve a supremacia na posse de bola mas encontrava dificuldades nas criações de jogadas. Jogando em um 3-4-3, o time alemão preencheu bem o meio de campo. Os alas Wendt e Traoré voltavam para compor a defesa, quando necessário, e estavam prontos para se juntarem aos seus companheiros em um eventual contra-ataque.

Meio de campo congestionado dificultou o Barça

A aposta na velocidade da transição defesa/ataque era a grande estratégia do Gladbach, que ameaçava encaixar o contragolpe. Embora estivesse com a vida dificultada (por um adversário que – apesar do sistema tático diferente – lembrava o ‘osso duro de roer’ que é o Atlético de Madrid), o Barça conseguia criar as melhores chances. Centralizado, como costuma fazer Messi, Neymar deixou Luis Suárez na cara do gol aos 20’. Só que o uruguaio preferiu o passe para o perdido Alcácer, que levou o desarme na hora do chute na pequena área.

No primeiro tempo, Neymar quase fez um gol em seu único chute. O Barça tinha dificuldades com a marcação adversária (Foto: Getty Images)

O time alemão parecia dar sinais de cansaço. Mas isso aconteceria só depois, porque o contra-ataque fatal, que torcida e jogadores esperavam, veio aos 34 minutos. E com participação fundamental dos melhores em campo pelo Gladbach. Busquets tinha uma difícil missão para fazer o seu melhor. Motivo? A pressão inicial dos jogadores mais avançados do Borussia. O espanhol foi desarmado por Stindl – que aparecia para ajudar na armação do ataque e ajudava muito na defesa. Ligado, Raffael tomou a bola e partiu para a corrida. Na velocidade, do jeito que ele gosta.



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Raffael devolveu para Stindl, que serviu Hazard. Menos famoso do que o seu irmão, que joga no Chelsea, Thorgan vem fazendo um trabalho mais eficiente nos últimos meses. E não desperdiçou a chance de abrir o placar para o time da casa. Festa nas arquibancadas do Borussia Park, e dos amigos do brasileiro Raffael. Em entrevista recente à Goal, o camisa 11 relatou a ansiedade pelo confronto e a vontade dos amigos em estarem presentes no estádio.

Raffael participou do gol do time alemão, e sempre foi uma ameaça enquanto esteveno campo (Foto: Getty Images)

Thorgan Hazard abriu o placar, concluindo um belo contra-ataque (Foto: Getty Images)

Na mesma entrevista, o jogador brasileiro que mais desequilibra no futebol alemão duvidou que poderia jogar mais do que Neymar neste encontro. Mas a verdade é que, enquanto esteve em campo, Raffael foi melhor: incomodava a saída de bola do Barça com a sua movimentação, e havia participado da jogada do gol. Os últimos momentos da primeira etapa foram do camisa 11 borussiano driblando entre cinco adversários.

Só que, nos primeiros minutos do segundo tempo, uma lesão muscular na coxa abreviou a sua exibição. Raffael caiu no chão no exato momento em que Neymar ignorava o fair play e seguia uma jogada aguda. Nos 48 minutos em que esteve no gramado, o ídolo do Gladbach foi mais efetivo: acertou 86,7% de seus passes no campo adversário. Durante os 90 minutos, Neymar teve sucesso em 59,5%.

Mesmo assim, foi essencial para ajudar o Barça a construir a virada. O Gladbach sentiu a saída de Raffael, seja na parte técnica ou psicológica, e foi gradativamente recuando mais para o seu campo. Luis Enrique aproveitou e efetuou duas substituições, mas foi a segunda delas que deu o resultado esperado.

Arda Turan entrou no lugar de Rakitic e deu mais profundidade ao time. O turco, bastante contestado pela torcida catalã, brigou para se infiltrar na área. E, no momento certo, Neymar fez o que não vinha fazendo: apareceu! Decidiu! Foi dos pés do brasileiro (que até então passou a ficar, sabe se lá por que, mais isolado na esquerda) que saiu a belíssima assistência. Turan chutou forte: 1 a 1.

Neymar abraça Turan depois do gol de empate. Ele e Suárez não foram os protagonistas, mas ajudaram na vitória da equipe (Foto: Getty Images)

Foi a sexta assistência de Neymar na atual temporada, considerando La Liga (1) e Champions League (5). Falem o que quiser dele, do seu cabelo e gosto musical: com a bola no pé, ele resolve. Mesmo quando não está jogando no mais alto nível.

Escanteio decisivo… (Foto: Getty Images)

Piqué aproveitou rebote de Sommer após bomba de Suárez: 2 a 1 (Foto: Getty Images)

A virada também contou com a sua participação. Em jogada ensaiada, Neymar bateu escanteio com precisão. A bola chegou aos pés de Suárez, que, de primeira, chutou forte na entrada da área. Sommer conseguiu fazer a defesa parcial, mas no rebote Piqué colocou os catalães na frente.

Uma vitória importante, afinal de contas o Gladbach não era derrotado em sua casa há 11 jogos oficiais. Neymar não brilhou, mas resolveu. É craque. O jogo seria diferente, caso Raffael não tivesse saído? Impossível saber, até porque ele já mostrava sinais de cansaço. Está longe da qualidade de Neymar, mas demonstrou que é capaz de ajudar o seu time até contra o mais temido dos adversários.

Raffael conseguiu, no final, trocar de camisa com Neymar… que é idolatrado pelos seus dois filhos (Foto: Getty Images)


Fonte: Goal.com

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