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Ninho do Urubu: As diferenças táticas do Flamengo com Márcio Araújo ou Cuéllar

“Debate não é sobre quem é melhor, mas sobre quem faz a função com eficiência. Futebol é coletivo. Cada um tem sua característica e Zé Ricardo tenta aproveitar o melhor possível”




GOAL Por Bruno Guedes


Até cerca de duas semanas a discussão sobre quem deveria jogar dominava: Márcio Araújo ou Cuéllar. Se a torcida rubro-negra tinha essa dúvida, Zé Ricardo não. Ele montou a sua equipe num padrão tático onde quem entra tem que se encaixar na formatação que tornou o time competitivo, forte defensivamente e muito eficiente. Os dois atletas sabem disso. Um é reserva do outro, mas por terem características diferentes, desempenham funções nem tão semelhantes.

Márcio Araújo


(Foto: Gilvan de Souza/Flamengo/Divulgação)

Sempre questionado tecnicamente, Márcio Araújo é o equilíbrio defensivo do Flamengo. É o homem central entre as duas linhas de defesa para que o 4-1-4-1 funcione perfeitamente. Por quase sempre cobrindo as subidas dos laterais e dando liberdade para William Arão atacar, sua competência neste setor faz com que a transição ofensiva conte com até sete jogadores no campo adversário. Mais recuado, dificilmente se apresenta como opção à frente, mas mesmo assim a equipe continua com superioridade numérica na maioria dos trechos onde a bola percorre. 

Quando a bola gira entre os zagueiros para a saída ao ataque, centraliza e o time se reconfigura num 3-4-3 bem definido, fazendo com que Réver se desloque discretamente para a direita e Rafael Vaz para a esquerda. Por isso mesmo que seus passes são sempre laterais ou em diagonal, buscando saída pelos flancos, que é mais rápida e menos exposta que o meio. Tudo organizado e muito trabalhado. 

Cuéllar


(Foto: NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)

Quando chegou ao Rio era tratado como uma joia e, erroneamente, substituto do Márcio Araújo. E não é. Cuéllar é um volante com estilo mais parecido com Arão, porém sem tanta vocação ofensiva. Menos preso à marcação, consegue se apresentar em mais partes do campo para ajudar num passe. Tem qualidade com a bola nos pés, o que vira um trunfo para as transições ofensivas. Só que, no padrão encontrado pelo Zé Ricardo para coberturas, ele não se encaixa tão bem por conta dessa característica. 

Sua saída é menos lateral, porém mais lenta e com mais toques. Jogando mais à frente dos zagueiros, não recua tanto para buscar a bola. Ofensivamente, por vezes faz o papel de elemento surpresa  entrando na área. Porém quando isso acontece um dos laterais ou William precisa recuar um pouco mais. Todavia expõe mais o sistema defensivo por essas subidas.

Compare os números dos volantes do Flamengo

O debate não é sobre quem é melhor, mas sobre quem faz a função com eficiência. Futebol é, antes de tudo, coletivo. Cada um tem sua característica e Zé Ricardo tenta aproveitar o melhor possível para um todo.

Bruno Guedes é músico, apaixonado por futebol e beisebol. Brasiliense por certidão e carioca de coração, acredita no futebol brasileiro e tem Romário como o maior jogador que viu dentro das quatro linhas.


Fonte: Goal.com

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