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Nova moda no Japão é encomendar um “sacerdote delivery” pela internet

27/09/2016 – 7:00

Start up cadastrou 400 monges que atendem em casa



Nova moda no Japão é encomendar um “sacerdote delivery” pela internet Nova moda no Japão é encomendar um “sacerdote delivery”

A mulher de Yutaka Kai faleceu no ano passado em decorrência de complicações de uma cirurgia no joelho. Seguindo a tradição budista, ele precisa fazer orações por ela no primeiro aniversário da morte. Aos 68 anos, ele não tem o hábito de frequentar um templo local. Sua opção foi usar a internet para chamar um “sacerdote delivery” que foi até a sua casa, acendeu um incenso em um pequeno altar e entoou sutras.

O filho mais velho de Kai, Shuichi, 40 anos, explica: “É acessível e o preço é claro. Você não precisa se preocupar com quanto precisa dar.” No Japão moderno, ele é mais um usuário do serviço de entrega a domicílio de sacerdotes budistas, disponível no site da Amazon.

O monge que atendeu Kai, Junku Soko, é apenas mais um nesse sistema que está rompendo a forma tradicional de se organizar funerais no Japão. Em um país avançado tecnologicamente, esta parece ser uma ramificação da chamada “economia sob demanda”, cujo produto mais conhecido é o Uber.

Existe uma verdadeira rede de sacerdotes freelancers lucrando com a necessidade religiosa dos japoneses.

Tal iniciativa é considerada inapropriada por alguns, e já foi condenada por líderes budistas. Mas parece que o serviço obosan-bin (aluguel de sacerdotes) da Amazon japonesa veio para ficar.

Os monges que prestam o serviço se defendem, alegando que eles estão apenas atendendo a necessidades reais. Afirmam também que o obosan-bin ajuda a preservar tradições religiosas ao torná-las acessíveis aos milhões de pessoas no Japão que se afastaram da religião organizada.

De fato, em uma cultura que valoriza a estabilidade, a religião parece estar tão afastada das vidas cotidianas de muitos japoneses modernos, que o serviço conseguiu atrair muitos usuários. A maioria parece satisfeita.

Soko, 39 anos, um dos sacerdotes do obosan-bin reclama: “Os templos vendem velas que valem 10 ienes por 100 ienes. Estão protegendo apenas seus próprios interesses.”  Além de queimar incenso e recitar preces, ele se dispõe a fazer um breve sermão sobre fé e sobre a necessidade de lembrarmos dos mortos, caso o cliente queira.

Hanyu Kakubo, sacerdote da Federação Budista do Japão, é contra o serviço de sacerdotes delivery. Para ele, isso pode mexer com as isenções de impostos que desfrutam os templos no Japão. “Se isso se tornar uma taxa de serviço em vez de doação, e o governo disser: ‘Certo, vamos taxar vocês como um negócio normal’, o que poderemos fazer?”, questiona.

Mas Kabubo admite que muitos templos não souberam se adaptar aos novos tempos. “Precisamos primeiro refletir sobre o fato de que criamos uma situação onde as pessoas sentem que precisam procurar por isso na internet”, desabafa.

O processo de agendamento de um monge pela Amazon é igual à compra de qualquer produto. Os usuários clicam, selecionando entre várias opções e o adicionam a um carrinho de compras virtual. Os preços são fixos. Por exemplo, uma cerimônia básica na casa do falecido custa 35 mil ienes [R$ 1.100 reais]. Já um segundo ritual em um cemitério, acrescido da concessão de um nome budista póstumo, sai por 65 mil ienes [R$ 2.800].

Star up de sucesso

A concepção original do serviço foi da Minrevi, uma startup de internet que antes de se associar à Amazon, no ano passado, já tinha cadastrado uma rede de 400 monges, que podiam ser agendados pelo seu próprio site ou pelo telefone. Ela fica com cerca de 30% do dinheiro pago pelo usuário, o monge fica com o restante.

Ao fechar a parceria com a Amazon, a empresa acrescentou mais 100 monges, explica Jumpei Masano, porta-voz da Minrevi. Eles esperam aumentar em 20% o número de agendamentos este ano, chegando perto de 12 mil. Não há previsão de adicionar sacerdotes de outras tradições religiosas, mas não descarta fazê-lo, caso haja demanda.

Atualmente, 60% dos japoneses se identificam como “não-religiosos” ou “ateus”, embora muitos deles continuem seguindo costumes religiosos tradicionais como ir a um templo xintoísta no Ano Novo ou visitar o túmulo de seus ancestrais periodicamente. Com informações de Uol


Fonte: Gospelprime.com.br

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