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Opinião: a problemática da verdade

Fraco que tem medo da opinião pública ou dos poderosos do dia, que não é independente ou imparcial) p1 – Pôncio Pilatos (que se tornou na história – embora não fosse magistrado – um símbolo do juiz por mais de uma vez perguntou a Jesus Cristo, ao interrogá-lo “o que é a verdade?” (“quid est veritas?”), sem obter resposta pois o Cristo era a própria verdade, a Verdade Absoluta diante de um juiz que não o reconhecia. Conforme São Tomaz de Aquino, Descartes, Pascal, Deus é a verdade suprema, a verdade absoluta.

Portanto, se a inteligência humana por sua própria natureza não é infalível, está sujeita a erros, à dúvidas, é limitada conclui-se que não pode atingir a verdade ou a certeza absoluta e assim é puro utopia ou simples abstração filosófica que o ser humano possa alcançar a verdade ou a certeza absoluta, o que somente existirá no plano do Divino e não do humano.

2 – A problemática da verdade seja como proposição ou como realidade na filosofia (e particularmente na moderna Teoria do Conhecimento ou Gnosiologia) é fundamental sob vários aspectos, tendo sido objeto de polêmica desde os antigos filósofos gregos até os dias atuais.

Em síntese entendemos que em tal polêmica existiriam dois conceitos opostos, extremados sobre a verdade: o sentido de que seria a conformidade do intelecto com a coisa (a realidade, “adaequatio intellectus et rei”) ou então a relação da ideia de verdade com a ideia do objeto pensado (“adaequatio rei et intellectus”), respectivamente na concepção aristotélica-tomista desde a Idade Média ou então a partir de Kant. A conformidade, a adequação entre o intelecto (pensamento, mente, ideia) e a realidade é em nossa compreensão a mais correta, quando o nosso conhecimento, através dos sentidos, apreende a realidade e não o contrário que a realidade é que estaria conforme o nosso pensamento, como que criada ou “mentalizada” em nosso pensamento.

Especificamente ainda é válida a fórmula de Aristóteles sobre a verdade: “sustentar, negar aquilo que é e afirmar aquilo que não é, é falso, enquanto afirmar o que é e negar o que não é, é verdade”, não se admitindo outra solução ou argumentação a respeito. Ou seja: quando se afirma uma coisa (um objeto, uma realidade) como ela é, afirma-se a verdade, a proposição é verdadeira e quando se afirma ou se diz como ela não é surge o falso, a não verdade.

3 – Ainda nesta síntese, a verdade é incompatível ou inconciliável com a dúvida a qual elimina também a certeza pois a dúvida é um estado de incerteza, alguém é “invadido pela dúvida” hesitando entre um “sim e um não”, se um fato é verdadeiro ou é falso, não podendo haver decisão judicial baseada em dúvida que se opõe à verdade e à certeza. Com a dúvida, não existe “prova”. Por outra parte, filosófica e juridicamente, “a probabilidade” é a ante-sala ou ante-câmara da verdade, é como que uma presunção de verdade, “tudo indica” que um certo fato ou resultado tenha existido ou ocorrido porém ainda não é a certeza a tal respeito


Fonte: Diário de Pernambuco

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