Os desafios dos candidatos de primeira viagem

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Jssica Luza se inspirou na popularidade do pai na vizinhana para tentar uma vaga na Cmara Municipal. Foto: Nando Chiappetta/DP

No próximo domingo, os brasileiros vão às urnas para escolher seus prefeitos e vereadores. Em Pernambuco, são quase 18 mil candidatos concorrendo a 2.139 vagas de vereador, parte deles tentando uma vaga na Câmara Municipal pela primeira vez. Além das dificuldades comuns às candidaturas de primeira viagem, há um pequeno grupo que enfrenta um desafio ainda maior: o de se lançar na política sem “padrinhos” políticos ou histórico em movimentos sociais e ou estudantis. 

O cientista político Thales Castro, professor da Universidade Católica de Pernambuco e da Faculdade Damas, acredita que muitos candidatos nessa situação encaram a primeira eleição como uma forma de construir um nome para futuras disputas. “Como eles não têm visibilidade e são franco-atiradores, um dos objetivos é fortalecer sua imagem e se tornarem mais conhecidos aos olhos dos eleitores”, analisa.

Marcos Filho conta com as doa
Marcos Filho conta com as doaes dos amigos para fazer sua campanha. Foto: Facebook/Reproduo

O professor Marcos Filho, 24 anos e candidato à vereador pelo Solidariedade na cidade do Cabo de Santo Agostinho, conta que foi convencido a entrar na política. “Sempre fui bem quisto no local onde moro, e um amigo enxergou potencial em mim. Conversei com minha noiva [atual esposa] e decidimos tentar”, afirma ele, que conta com as doações dos amigos para fazer sua campanha. Entre seus principais projetos, caso seja eleito, Marcos pretende implantar ciclovias em diversos pontos do Cabo, conseguir um ônibus para os universitários do município que estudam em outras cidades e implantar o ensino de música e artes marciais nas escolas.

Segundo Thales, uma das formas utilizadas pelos candidatos para driblar dificuldades financeiras é o de se expor com nomes obscenos ou músicas com tom humorístico na propaganda eleitoral. “Como precisam ser reconhecidos para que sua candidatura seja competitiva, muitas vezes eles utilizam esse tipo de recurso. Entretanto, os candidatos correm o risco de serem vistos com descrédito pelos eleitores”, diz o especialista.

Já a estudante de direito Rayllane Ferreira, 21 anos e candidata à vereadora no Recife pelo Partido Social Cristão (PSC), se interessa por política desde a adolescência. “Desde os 13 anos eu participava de um grupo que debatia [política]. Após pagar uma disciplina de ciências política na universidade, a ideia de se candidatar amadureceu de vez”, explica. O foco das propostas de Rayllane está na comunidade da Torre, onde mora. A estudante quer realizar ações na área da educação para o jovens, como promover palestras e trazer cursos de qualificação para a juventude. 

O cientista político Thales Castro, lembra que os vereadores desempenham um papel fundamental na melhoria da qualidade de vida nas cidades. Isso, considerando que “eles devem fiscalizar o poder executivo, especialmente o prefeito, e legislar sobre assuntos de interesse do município”. Thales acredita que para ser um bom vereador, o candidato deve ter como principal qualidade ser sensível às causas sociais.

A memória do pai, falecido em maio desde ano, é o que inspira a vendedora Jéssica Luíza na disputa por uma vaga na Câmara Municipal do Recife. Aos 29 anos, ela é candidata pelo Partido da Mobilização Nacional (PMN). “Meu pai sempre foi uma pessoa muito popular na comunidade [da Linha do Tiro], porque ele se doava muito pela vizinhança, fazia a coleta do lixo, trocava lâmpadas da rua, entre outras coisas, só para ajudar o pessoal”, lembra. Jéssica concentra os seus projetos na comunidade onde mora. Se for eleita, ela diz que irá trabalhar em favor da crianças, promovendo aulas de reforço e cursos profissionalizantes. Além disso, ela também quer desenvolver ações na área de saneamento básico, já que muitas pessoas no local moram em áreas de barreiras. 

O doutor em ciências políticas Thales Castro atenta para a importância do vereador manter o contato com os moradores dos bairros. “O vereador costuma ter uma proximidade muito maior com os membros desses locais, já que muitas vezes também nasceu e se criou nessas comunidades. Esse trabalho de prestação de serviço também é vital para que ele se aproxime dos seus eleitores”, comenta. 


Fonte: Diário de Pernambuco

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