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PF não comenta soltura de presos da Operação Turbulência

A Polícia Federal em Pernambuco (PF-PE) informou que não irá se pronunciar a respeito da soltura dos presos da Operação Turbulência. A instituição acrescentou não ter sido notificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), adiantando que não se pronuncia sobre decisões da Justiça.

Informações ainda não oficiais apontam que o ministro Marco Aurélio (STF) acolheu pedido da defesa do empresário João Carlos Pessoa de Lyra feito pelo advogado Nabor Buhões e expediu liminar pela soltura do empresário, que passaria a cumprir prisão domiciliar. Por meio de ofício, o ministro também teria decidido estender o benefício aos demais presos da operação, beneficiando outros três empresários que também estão detidos no Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima: Eduardo Freire Bezerra Leite, Apolo Santana Vieira e Arthur Lapa Rosal.

Operaçã0 – A Operação Turbulência foi deflagrada em junho deste ano para prender suspeitos de participar de um esquema que utilizava empresas de fachada para o desvio de recursos públicos desde o ano de 2010. Dezesseis dos 24 mandados de condução coercitiva e quatro dos cinco mandados de prisão expedidos pela Justiça foram cumpridos. João Carlos Lyra de Melo Filho e Eduardo Freire Bezerra Leite receberam voz de prisão quando desembarcaram no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Os empresários com atuação em Pernambuco já estavam sendo seguidos quando embarcaram juntos, na madrugada de hoje, no Aeroporto Internacional dos Guararapes, no Recife. O voo foi acompanhado por dois policiais à paisana, que aguardaram a expedição do mandado para cumprir a ordem judicial. De acordo com a PF, Eduardo Freire tinha passagem comprada para seguir ainda hoje para Miami, nos Estados Unidos. Com ele foram encontrados U$ 10 mil em espécie. Já Apolo Santana Vieira foi preso em uma academia no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Além deles também foi detido Artur Roberto Lapa Roval.

Paulo César de Barros Morato,suspeito de integrar a organização criminosa e de ter lavado dinheiro para financiar a campanha de políticos pernambucanos, foi encontrado morto dentro do Motel Ti-ti-ti, na Avenida Perimetral Norte, no bairro de Sapucaia, em Olinda, na noite em que foi inicuada a operação. Ele já era considerado foragido. Investigações apontaram que ele cometeu suicídio.

 

Investigações-  As investigações começaram após a queda do avião que vitimou o ex-governador Eduardo Campos, no dia 13 de agosto de 2014, no litoral de Santos, em São Paulo. Os trabalhos para encontrar os proprietários da aeronave acabaram desvendando um esquema, que, de acordo com a PF, movimentou R$ 600 milhões desde 2010.

Ainda segundo a PF, em 2014, a construtora OAS, contratada para realizar um serviço de terraplanagem das obras de transposição do Rio São Francisco, repassou R$ 18,8 milhões à empresa Câmara Vasconcelos, utilizada como fachada para a compra da aeronave, um Cesna Citation PR-AFA. Antes mesmo da prisão, João Carlos Lyra já teria assumido a posse do avião.

O senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) foi apontado pela Polícia Federal como um dos intermediadores dos recursos com as 18 empresas de fachada que estariam envolvidas no esquema. Dezessete empresas estão localizadas em Pernambuco e uma em Goiás, entre elas  Bandeirantes Pneus, AF Andrade e Câmara Vasconcelos, todas pernambucanas. Ainda segundo a PF, FBC, já investigado pela Operação Lava-Jato, faria parte do esquema desde 2010, quando das obras da Refinaria Abreu e Lima e também seria encarregado de recolher recursos com essas empresas para a campanha de reeleição de Eduardo Campos no governo de Pernambuco em 2010.

De acordo com o superintendente Regional da Polícia Federal, Marcelo Diniz Cordeiro e os delegados Andrea Pinho e Daniel Silvestre, responsáveis pela operação, as investigações continuam para detalhar a circulação dos montantes em dinheiro e a participação de novas empresas como uma localizada no Uruguai e ainda para comprovar suspeitas.


Fonte: Diário de Pernambuco

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