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PL Brasil: O delírio dos empréstimos

Com 38 jogadores repassados a outros clubes, Chelsea deixa em dúvida se há um caminho de volta nos empréstimos



GOAL Por Thiago Ienco – Premier League Brasil


Numa janela que superou a marca de £1 bilhão em contratações, sendo que 13 dos 20 clubes quebraram seus próprios recordes, e o Manchester United estabeleceu a contratação mais cara da história do futebol, com os de £89 milhões investidos em Paul Pogba, o que mais poderia nos deixar surpresos na Premier League?

Pois o Chelsea, sem muito alarde, embora não seja exatamente uma tendência nova no clube, atingiu ao fim da janela de transferências a inacreditável marca de 38 jogadores emprestados na temporada 2016/17. Tem jogador dos Blues na Espanha, Alemanha, Holanda, Itália, Bélgica, Turquia, Colômbia e Brasil. Até o time da Polícia Metropolitana de Londres (!) foi contemplado, mesmo estando na Isthmian League, equivalente à sétima e oitava divisões inglesas.

Dezoito dos 38 emprestados possuem 21 anos ou mais. Nathan Baxter (17) é o mais novo da lista, enquanto Loic Remy (29), é o mais velho. Quase 15% dos clubes da Football League (10 de 72), que organiza a segunda, terceira e quarta divisões inglesas, receberam jogadores dos londrinos. Apenas quatro ficaram na Premier League: Nathan Aké, Patrick Bamford, Kenedy e Remy.

Sem oportunidades nos Blues, Kenedy está no Watford (Foto: Getty Images)

Com um número tão expressivo, é praticamente impossível definir um critério para justificar todos esses empréstimos. Todos saíram, obviamente, porque não seriam aproveitados pelo técnico Antonio Conte no momento. O jeito foi “terceirizar” o serviço: encontrar alguém que acolha, dê sequência e eleve o patamar destes jovens e rodados atletas, almejando algo melhor adiante. O que acontece no Chelsea, porém, abre margem para se duvidar se o clube está realmente interessado no que colherá adiante. Se não está, simplesmente, transferindo o problema.

O empréstimo, por várias vezes, acaba sendo a saída encontrada pelos cartolas para varrer debaixo do tapete toda a “sujeira” que fizeram nas janelas anteriores e na administração da base. Contratações caras que não faziam sentido ou não deram certo acabam se tornando um fardo pesado demais para se carregar, assim como jovens talentosos que não conseguem entrar no time titular, mas que são preciosos demais para serem “perdidos”.

É inegável que ter uma sequência em outra equipe vai abrir muito mais portas do que a estagnação em equipes reservas – diferente de outros países, como a Espanha ou a Alemanha, por exemplo, os times ingleses não possuem equipes Bs competindo nas divisões inferiores, há uma liga específica para isso, com times que mesclam jovens recém-promovidos da base com atletas pouco aproveitados do profissional.

Jack Wilshere, por exemplo, cresceu muito após passar uma temporada emprestado ao Bolton Wanderers, e é o que se espera dele agora no Bournemouth, para resgatar o brilho perdido com as seguidas lesões no Arsenal. O que se nota no Chelsea (não é uma exclusividade deste, registre-se), porém, é uma série de jogadores emprestados por três, quatro temporadas, sem uma linearidade, sem um rumo que possa contemplar o aproveitamento deles no futuro. Muitos deles, com contratos longos, poderão ter uma passagem de cinco, seis temporadas pelo Chelsea com menos jogos do que dedos nas mãos.

A entrevista de Lucas Piazón ao Daily Mail, na última semana, é reveladora neste sentido. O meia-atacante chegou ao inacreditável quinto empréstimo na carreira desde que foi contratado junto ao São Paulo em 2011. “Não faz sentido ir em empréstimo toda hora. Não é bom para mim, nem para os outros jogadores. Não vejo mais como uma coisa positiva. Isso não é bom para mim aos 22 anos. É difícil arrumar um lugar no time. Eles têm seus próprios jogadores”, disse o brasileiro.

Lucas Piazón detonou a política de empréstimos do Chelsea (Foto: Getty Images)

Se não foi aproveitado regularmente após passar por Málaga, Vitesse Arnhem, Eintracht Frankfurt e Reading, o que pode nos fazer acreditar que o Piazón, agora no Fulham, está mesmo nos planos do Chelsea? Não seria melhor vendê-lo de uma vez? Outro caso que se destaca é o de Juan Cuadrado, contratado por £23.3m em fevereiro de 2015, mas que não se encaixou no futebol inglês. Após passar 2015/16 na Juventus, era de se esperar que Conte o aproveitasse em 2016/17, até por conhecer bem o colombiano quando este ainda atuava pela Fiorentina. Cuadrado, porém, foi emprestado novamente à Juventus, só que agora num chocante acordo de empréstimo por três temporadas.

Tais operações queimam o filme do Chelsea perante o mercado, especialmente entre os mais jovens. Defender os Blues é tentador para qualquer jogador, mas qualquer jogador racional quer ter uma sequência de Branislav Ivanovic, não a de Nathaniel Chalobah. Se o futebol inglês clama tanto pela renovação em sua seleção, pela inclusão da base no time titular, já não seria o caso de limitar o número de jogadores emprestados? O declínio de qualquer seleção começa pela estagnação de seus principais talentos.

Confira onde estão os 38 emprestados pelo Chelsea em 2016/17


Fonte: Goal.com

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