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Raimundo Carrero: Movimento regionalista – definições de Gilberto Freyre

Por Raimundo Carrero

Escritor e jornalista

Fui assessor de Imprensa de Gilberto Freyre no antigo Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais e conversei muito com ele sobre o Regionalismo e sobre sua decisiva influência na cultura brasileira. Eram conversas muito agradáveis, embora Gilberto reclamasse sempre da incompreensão dos paulistas – que estavam lançando o “Movimento Modernista” – e por isso mesmo procurava sempre esclarecer os caminhos do movimento. Assim mesmo, com ênfase: “Movimento Regionalista” que definiria os caminhos da nossa cultura erudita, embora ainda hoje não compreendidos completamente.

Tudo isso me veio à mente enquanto escutava a brilhante palestra de Letícia Cavalcanti segunda-feira passada na Academia Pernambucana de Letras, numa iniciativa correta da presidente Margarida Cantarelli. Conversávamos – Gilberto e eu tanto no prédio do IJNPS quanto no casarão de Apipucos quando comecei a rascunhar os meus primeiros contos e novelas. Naquele momento, escrevera minha primeira novelinha, que nunca concluí: “A casa de uma porta só.”

Em duplo tempo lembrei-me do jovem que eu era ouvindo-o naqueles instantes e do jovem que ele fora lançando um movimento tão importante e definitivo aos 26 anos de idade. Sim, porque Gilberto era quase um menino naquele mundo de adultos e já com um pensamento pronto, pronto e realizado, porque construiu a sua obra mais séria e questionadora na casa dos trinta anos. Mesmo assim, os modernistas eram muito agressivos porque não podiam compreender sua obra e seus achados. A ele, inclusive, negaram até a propaganda e publicidade, que hoje chamamos a grosso modo de mídia.

Escreve Gilberto: “É que ao Regionalismo do Recife, a se modo também modernista e tradicionalista ao mesmo tempo, faltou na a sua época heróica, propaganda ou divulgação na imprensa metropolitana, então indiferente, senão hostil. Ao que fosse ou viesse da Província”. Na palestra de Letícia, corretíssima em suas apreciações, sentei-me ao lado de Frederico Pernambucano de Mello, na época em que fui assessor, chefe de Gabinete da presidência do Instituto. Trocamos algumas opiniões sobre aquele momento e nos concentramos logo na palestra de Letícia. Ela falava com enorme propriedade sobre o Regionalismo, – fazendo distribuir exemplares do Manifesto- enquanto de minha parte repassava a juventude, embora autor de uma única novela publicada, e sobre a juventude do homenageado, com notórias vantagens para o Ele, gênio da cultura brasileira. Sem dúvida.


Fonte: Diário de Pernambuco

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