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Recife: cidade luz em 2037

Por Leonardo Anacleto Ramos
Engenheiro eletricista
A iluminação pública, na atualidade, é um dos mais importantes instrumentos de políticas públicas para um município. Sua atuação permeia a transversalidade de ações de interesse coletivo, sendo de fundamental relevância na ocupação dos espaços públicos, viários, praças, parques, monumentos, prédios históricos e áreas de interesse social. A forma como se desenvolve o estudo e implantação do projeto luminotécnico para o espaço público rebate diretamente na segurança dos munícipes, no desenvolvimento da economia local e na autoestima da população. Também agrega valor à imagem das cidades, fomentando o turismo, atividades de lazer e entretenimento noturno.

A abordagem e a análise de um território, bairro, vila ou qualquer espaço público está diretamente relacionada à sua ocupação. São as características antropológicas que definem a melhor forma de prover de luz artificial e a harmonia do espaço urbano no período noturno e, em casos especiais, no período diurno. Num mundo onde a palavra de ordem é sustentabilidade e uso racional dos recursos naturais, eficientização energética, despoluição luminosa e redução de consumo estão cada vez mais na pauta de prioridades das ações governamentais. Os entes públicos têm buscado proporcionar condições satisfatórias de luminosidade com menor consumo, melhor desempenho e fazendo uso de novas tecnologias.

A cidade do Recife desenvolveu, nos últimos três anos, planos estratégicos. Entre eles, o de Ordenamento Territorial do Município; o de Enfrentamento de Mudanças Climáticas, o Municipal Cicloviário, o Diretor de Drenagem Urbana e Manejo de Aguas Pluviais, e o Municipal de Saneamento. Além desses, os programas de Incentivo de Qualidade Urbana e o Pacto Pela Vida, o Projeto de Navegabilidade do Rio Capibaribe e está em fase de revisão do Plano Diretor da Cidade. Observa-se que as intervenções no sistema da iluminação pública harmonizam de forma direta ou indireta com todos esses planos, em especial com os urbanísticos. A iluminação pública é instrumento global e estratégico das políticas de desenvolvimento urbano determinante para todos os agentes públicos e privados que atuam no município.

É importante esclarecer que a iluminação pública é a componente de maior representatividade governamental na produção equivalente de carbono (tCOv(2)), segundo dados do Plano de Redução de Carbono da Cidade do Recife. Por isso, é preciso definir metas de redução de consumo energético no Recife, mensurando o impacto desse ganho a partir da economicidade com qualidade e intensidade necessária a proporcionar bem-estar, segurança e conforto aos munícipes, conforme preceituado em norma técnica (NBR5101/2012) ou a níveis superiores.

Um projeto bem dimensionado deve considerar a reprodução de cores que muitas vezes é negligenciada sob a crença, com base em aspecto puramente técnico, que apenas a identificação de obstáculos ou pessoas é suficiente. O projeto deve ser ecologicamente correto e utilizar lâmpadas e luminárias que sejam energeticamente eficientes e que não causem poluição luminosa.

O Seminário Internacional de Iluminação Pública do Recife, que acontece dias 19 e 20 de setembro, contará com nomes reconhecidos internacionalmente, como Laurent Fachard (de Lyon), Dany Joly (Nantes), Thomas Klug (Paris), Anna Hennes (Porto Alegre), Plinio Godoy (São Paulo), Allan Maitre (Salvador), Márcia Chamixaes e Cláudia Torres (Recife). Sem dúvida, um grande início para inserir a cidade num contexto de cidade LUZ na comemoração de seus 500 anos em 2037.


Fonte: Diário de Pernambuco

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