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Rodrigo Calvozzo: E agora CBF?

Mudanças propostas pela Conmebol farão com que times do Brasil encarem as finais dos torneios continentais e nacionais ao mesmo tempo



GOAL Por Rodrigo Calvozzo 


Pronto! Do dia para a noite a Copa Libertadores virou Champions League. Ao invés de 27 semanas, agora a competição mais importante das Américas passa a ser disputada em 42, sendo que a decisão poderá ser em jogo único, com local pré-definido antes mesmo da bola rolar.


Além de alterar profundamente na tradição do torneio, a mudança mostra que a Confederação Brasileira de Futebol está sem o menor prestígio ou realmente ninguém faz a menor questão de atentar aos interesses de seus afiliados na entidade.

Como sabemos, o Brasil é um dos países que não seguem o formato europeu de calendário, ou seja, por aqui iniciamos as competições em fevereiro e as mesmas terminam em dezembro. Sendo assim, já podemos imaginar que no período em que os grandes torneios continentais estiverem acontecendo, no fim do ano, nossas equipes estarão em final de temporada, com atletas estafados e com grande probabilidade de estarem com lesões musculares. Fato que vai no sentido oposto da justificativa da Conmebol ao propor a mudança.

“Queremos melhorar a qualidade do futebol sul-americano e aumentar seu desempenho atlético”, divulgou.

Ora, se a ideia é melhorar a qualidade técnica não dá para entender como conseguiremos isso com os jogadores se arrastando, justamente no período em que eles precisarão estar na sua melhor forma.


Em 2016 o Brasil ficou mais uma vez fora da final da Libertadores (Foto: Getty Images) 

Ou a CBF revê o seu conceito ou seguiremos sendo a exceção dentre as principais equipes das Américas, já que por exemplo, Argentina e México, já utilizam o estilo europeu por muitos anos.

Vale lembrar também que uma equipe poderá chegar ao final do ano disputando a reta final do Brasileirão e a Copa Libertadores simultaneamente. Isso sem falar na Copa do Brasil, que precisará rever toda a sua estrutura, já que a mesma foi modificada para que os participantes da Libertadores também estivessem nas suas fases decisivas.



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Não custa frisar, que a CBF divulgou em julho o seu calendário 2017. Ou seja, ninguém contava com as novidades vindas da Conmebol. Faltou planejamento? Pode até ser, mas o que parece mesmo é que a cada dia o futebol brasileiro perde prestígio nas decisões continentais. Não é para menos, afinal de contas, seu principal dirigente não se permite deixar o país para acompanhar de perto os bastidores do que acontece no futebol sul-americano.

Seja como for, ou a Confederação Brasileira de Futebol repensa este calendário, cada vez mais isolado do mundo, ou estaremos condenados a viver uma realidade paralela, que não traz nenhum benefício para o nosso futebol, que tanto precisa se recuperar internacionalmente.

 

 

 


Fonte: Goal.com

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