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Testemunha ocular garante que ‘Ninjas’ não participaram de chacina em União

Policiais sentam no banco dos réus, acusados de executar quatro jovens em 2002, no município de União dos Palmares

 

Os acusados de integrar um grupo de extermínio denominado "Ninjas" são julgados nesta quarta-feira (21), no 3º Tribunal do Júri, no Fórum de Maceió, pelo juiz Geraldo Amorim. Os réus, policiais militares, teriam sido os responsáveis pela morte de quatro jovens em 2002, no município de União dos Palmares. Em juízo, a testemunha ocular do caso – prima de uma das vítimas – garante que os disparos não foram efetuados por nenhum deles e que os tiros partiram de outras duas pessoas. 

A testemunha em favor dos réus, Maria José, alegou, durante depoimento prestado ao magistrado, que a inocência dos quatro acusados se comprova no que ela viu, pois informou que estava na hora do crime e que os responsáveis não atiraram em direção às vítimas. Cizenando Francisco da Silva, uma delas, era primo da testemunha e usuário de drogas. Apesar de passar confiança no primeiro momento, Maria José se contradisse ao declarar que estava no comício – momento do crime -, mas, logo em seguida, informou que não se encontrava no evento de cunho eleitoral na cidade. 

"Meu primo gritou pelo meu nome antes de morrer. Eu estava lá na ponte também quando tudo aconteceu. Foram duas pessoas que atiraram, mas não foram esses quatro", disse Maria José. Apesar das alegações, a testemunha foi desmentida pelo próprio namorado, que relatou ter saído com ela de uma discoteca e que não encontrou nenhum primo da mesma.   

O advogado de um dos acusados, José Valdir Gomes Ferreira, sustenta a versão de que nenhum dos acusados participou da chacina e que "o Estado tem a obrigação de procurar quem fez isso, porque todos eles são pais de família". 

 

Advogado dos acusados mantém a versão de que nenhum dos policias estava no local no momento do crime

FOTO: Camila Barbosa

Valdir, um dos réus, falou com a reportagem, comentando que todos estavam descansando na hora do crime, apesar de estarem em serviço, recolhidos no quartel. A guarnição foi acionada por um denunciante às 4h30, para atender a ocorrência.

 

O promotor que atua no caso, Maurício Mannarino Teixeira, não quis falar com a imprensa e disse que só dará entrevista ao final do julgamento. 

Ao todo, foram ouvidas sete testemunhas. Havia outras previstas, mas foram dispensadas pelos advogados e pelo promotor. Vão começar, agora, os interrogatórios dos réus. A expectativa do juiz Geraldo Amorim é terminar os interrogatórios por volta de 14h. Após este momento, haverá os debates. Acusação e defesa terão, cada um, 2h30 para falar e ainda réplica e tréplica, com 2h cada. Os debates podem durar até 9h. 

 

José Valdir Gomes Ferreira, Nilton Nascimento Correia, José Paulo Barros de Araújo, Marcos Mota dos Santos e seus advogados no banco dos réus 

FOTO: Camila Barbosa

 

 

Julgamento

Os réus foram pronunciados em fevereiro de 2011 e serão julgados por quatro homicídios duplamente qualificados (motivo fútil e mediante recurso que impossibilitou a defesa das vítimas). Eles respondem em liberdade. Outros dois réus, Eraldo Tadeu Vieira dos Santos e Antônio Batista de Lima Neto, foram julgados em junho de 2013 e condenados a 84 e 100 anos de prisão, respectivamente.

Os crimes ocorreram no dia 5 de setembro de 2002 e vitimaram Tiago Holanda da Silva, Cizenando Francisco da Silva, Sydronio José da Silva e Maurício da Silva. Todos os acusados negaram participação nas mortes.

 

Gazetaweb

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