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Bando de Loucos: 1999, o Ano que não acabou

“O Corinthians parece preparar seu espírito para virar um novo milênio que não existe. Como se fosse obrigado a por um ponto final em algo pra começar outro melhor”.




GOAL Por Luís Butti, de São Paulo


Na virada do Milênio
A Paz renascerá
Ô clareia, deixa clarear

Na virada do Milênio
A Paz renascerá
Clareia, deixa clarear!

Foi com este refrão, do enredo “Nostradamus”, que o Vai-Vai, ao lado dos Gaviões da Fiel, venceu o Carnaval Paulista de 1999. Exatamente neste comecinho de 1999, pouco antes do Carnaval, dava início a Era Oswaldo de Oliveira no comando do Corinthians. Oswaldo já havia sido Campeão Brasileiro de 1998, como auxiliar de Luxemburgo. Com Vanderlei na Seleção, era o momento de tomar à frente o comando do maior clube do país.

Foi um estrondoso sucesso. Campeão Paulista. Campeão Brasileiro. Campeão Mundial.

(Foto: Getty Images)

Oswaldo passou pelo Corinthians mais algumas vezes após o triênio 1998-1999-2000.

E, nesta virada de 2016 para 2017, está de volta. Desconfiado, com certa rejeição de torcedores e diretores, mas chegou. Bancado pelo Presidente Roberto de Andrade, Oswaldo chegou derrubando peças que já deveriam ter caido. Edu Ferreira, contrariado da decisão, deixou a Direção do Futebol. André Negão e Andrés Sanchez também aparentam deixar o clube em breve.

Em seguida, depoimentos emocionados de ídolos nas Redes Sociais, favoráveis ao treinador.

O segundo passo foi cogitar o ex-Diretor de Futebol Ney Nujud para o cargo. Exatamente o Diretor da época. Nujud acabou não aceitando. Mas deu forças para os ares do final de século no Corinthians.

Oswaldo chegou ganhando. Venceu o América Mineiro por 2×0 com altas doses de emoção. Chorou com primeiro gol de Romero. Numa tarde onde o rejeitado Willians, assim como o lateral-esquerdo Augusto, de 1999, fora bastante vaiado, mas que a redenção vinha.

(Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)

Eu não sei se Oswaldo dará certo. Mas é notório que o ar carregado no clube começa a se dissipar como um final de neblina. Um sentimento bom, de nostalgia, começa a contagiar a torcida. Se o racional pode dar um pouco de medo, o emocional passa por cima de tudo isso.

O grande triunfo nacional de Oswaldo aconteceu no Mineirão. Justamente o palco do primeiro grande desafio, quarta, contra o Cruzeiro. Os fatos se encontram na transversal do tempo.

O Corinthians, em ebulição dentro e fora de campo, parece preparar seu espírito para virar um novo milênio que não existe. Como se fosse obrigado a por um ponto final em algo pra começar outro melhor.

Roberto de Andrade, mesmo com inúmeros erros, vai colocando a casa em ordem financeiramente.

(Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)

O sentimento é de virada.

Por mais que os títulos fiquem no passado, as lições, ensinamentos e reflexões reaparecem.

E, estas sim, caros amigos, são atemporais.

1999 não acabou. Nunca acabará.
Na virada do milênio, a paz renascerá. 


Luís Butti é redator publicitário, compositor e corintiano das antigas. Adora música, polêmica e redes sociais. É a favor do mata-mata e vê na Arena Corinthians o seu “Jardim do Éden”…


Fonte: Goal.com

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