Candidata candomblecista crítica eleição de evangélicos: “tragédia anunciada”

6/10/2016 – 11:10

Gravação mostra delegada lamentando baixa votação dos candidatos ligados ao povo de santo



Candidata candomblecista crítica eleição de evangélicos: “tragédia anunciada” Candomblecista crítica eleição de evangélicos: “tragédia anunciada”

Desde a divulgação do resultado oficial das eleições no domingo, circula na internet um áudio atribuído à delegada de polícia Patrícia Pinheiro, de Salvador. Candidata a vereadora pelo PSL, ela obteve apenas 227 votos. O número é bem distante dos 4.711 obtidos por Trindade, único eleito pela sigla.

Compartilhada milhares de vezes pelo aplicativo de mensagens WhatsApp, e no perfil do Facebook da delegada, a fala revela sua revolta pelo aumento do número de candidatos evangélicos eleitos na capital baiana. A Câmara Municipal de Salvador terá, em 2017, oito representantes ligados a igrejas. Na atual composição eram seis, um aumento de 33% em comparação a eleição de quatro anos atrás.

Classificando o aumento da bancada evangélica municipal, de “tragédia anunciada”, reclamou da baixa votação dos candidatos ligados ao “Povo de Santo”. Identificando-se como “makota de encosto do terreiro Manso Dandalungua Cocuazenza”, Pinheiro faz duras críticas a falta de união dos praticantes das religiões afro-brasileiras quando o assunto é eleições.

“Foi um pleito muito difícil. Eu pedi ao povo de terreiro, ao Povo de Santo, conclamei que votasse nos candidatos de Axé, não só em mim, mas, que tivesse um carinho especial para com os candidatos de axé, que estavam colocando suas candidaturas a prova e alertei que a bancada aqui em Salvador, poderia ser ampliada de 11 vereadores evangélicos para 15 ou 17 e infelizmente ontem as urnas confirmaram essa tragédia anunciada”, afirma ela.

Ao desabafar, a delegada lamentou de modo especial a reeleição da vereadora Pastora Cátia Rodrigues (PHS), que no final do ano passado propôs que se colocasse uma Bíblia gigante dentro do Dique do Tororó, onde existem várias estátuas de orixás.

A ideia foi aprovada pela Casa, mas acabou engavetada pelo prefeito Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM), reeleito no domingo.

A indicação da pastora gerou grande polêmica entre a população, sendo que para muitos tratava-se de um caso de ‘intolerância religiosa”. A fala da delegada Patrícia reflete o descontentamento: “Esse projeto foi aprovado em novembro de 2015, por 11 canalhas evangélicos neopentecostais e graças ao veto do prefeito ACM Neto esse projeto não foi adiante”. Ainda que demonstre não gostar dos evangélicos, na propaganda eleitoral na TV, Patrícia aparecia pedindo votos para o candidato de sua coligação: o pastor Isidório (PDT). Contudo, no áudio ela não se refere a ele diretamente.

A delegada classificou a votação do segmento ligado às religiões afro de “vergonhosa” e “fracassada”, insistiu que eles precisam se unir nas próximas eleições.

Para quem reclamou do aumento do número de candidatos evangélicos este ano, o discurso da candidata Patrícia Pinheiro mostra que os demais grupos religiosos também estão lutando por mais representatividade.

Nessa busca por espaço na esfera pública, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e o jornal Folha de São Paulo, mostraram que os candidatos “trans” passaram de 31 em 2012 para 84 nesta eleição. Embora apenas um número muito reduzido tenha se elegido, as próximas eleições devem revelar esse acirramento de fileiras.

Ouça:


Fonte: Gospelprime.com.br

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