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Colapso financeiro de hospitais alagoanos pode acarretar em greve geral

Administrações de unidades são atingidas com atraso nos repasse de recursos

 

Os diretores de hospitais filantrópicos em Alagoas aguardam uma solução da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) sobre a regularidade nos repasses financeiros, referente a serviços prestados através do SUS, em menor prazo. O temor das unidades é que até o final do ano o colapso financeiro resulte em uma paralisação geral nos hospitais.

Esse recurso, tido como o principal complemento no setor financeiro dessas unidades, tem sido repassado com um atraso de 60 dias, período em que é concluída a auditoria para atestar o que foi produzido. A verba é destinada diretamente para o orçamento não tendo área especifica para ser investida.

A situação motivou a união dos sindicatos dos trabalhadores da saúde e do sindicato dos hospitais, que produziram uma moção para pressionar o Estado a realizar os repasses em um menor prazo. O documento também solicitou que os Ministérios Públicos do Estado (MPE), Federal (MPF) e do Trabalho (MPT/PRT/AL) apoiem a causa.

O presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem no Estado de Alagoas (Sateal), Mário Jorge dos Santos Filho, expõe que a dificuldade financeira tem prejudicado os funcionários, com salários, pagamentos de hora extras, vale transporte e até mesmo alimentação para turno que ficam de plantão.

“Da forma como continua, é inevitável que daqui a uns meses nós tenhamos uma greve geral na saúde em Alagoas. Os hospitais não terão como arcar com as despesas dos funcionários e até mesmo dos insumos para manter os atendimentos”, colocou Mário Jorge.  

Um dos hospitais que apresentou os primeiros sinais de dificuldade financeira foi o Hospital do Açúcar, que enfrentou greve dos funcionários devido ao atraso de salários.

“É mais que necessário uma ação conjunta para fazer o Estado contratualizar esses repasses. Nós dos sindicatos dos trabalhadores estamos a algum tempo pedindo socorro ao Ministério Público do Trabalho, depois ampliamos e fomos em busca do MPF. O estado continua dizendo que não há atraso, mas imaginem só como seria uma situação caótica virar o ano nesta situação”, afirmou.

Mário Jorge afirma que o valor dos repasses feitos aos hospitais é diferente dos que são realizados para as OSs. “Aí ficamos com uma interrogação no ar, sem saber por que as OSs recebem mais do que os hospitais”.

O presidente do Sindicato dos Hospitais de Alagoas (Sindhospital), Glauco Monteiro explica que os 60 dias de atraso estão provocando um grande efeito nas administrações. Segundo ele, a proposta apresentada que o Estado mantenha o mesmo fluxo de pagamento tido pelo último governo que era sempre nos 15 primeiros dias do mês subsequente.

O atraso tem sido provocado, de acordo com Monteiro, porque a Sesau apenas quer efetuar o pagamento após a realização de uma auditoria. “Nós temos tentado dialogar para que o pagamento seja feito e caso seja constado alguma irregularidade, no próximo mês seja feito o desconto. Assim poderíamos manter, pois quando o dinheiro entra na conta do hospital ele é utilizado para tudo”, afirmou ele.

Todos os dirigentes de hospitais do estado já se reuniram para tratar sobre a situação e aguardam uma posição do governador Renan Filho, já que o diálogo com a secretária de Saúde, Rosângela Wyszomirska, tem sido constante.

Os hospitais alegam que o recurso pago pelo serviço prestado está com o valor defasado há mais de oito anos, o que não atende a tabela atual com a atualização da inflação. “Hoje podemos dizer que essa tabela está defasada em quase 67%. Por isso nós esperamos uma posição do governo para evitar que os hospitais parem”, disse o presidente do (Sindhospital). 

Sesau

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), por mês o estado repassa mais de 20 milhões a 40 unidades hospitalares em todo estado  e esclareceu que os repasses são feitos mensalmente referente à produção de procedimentos de dois meses para trás. Ou seja, a produção de julho foi paga em setembro, a de agosto em outubro e assim por diante. 

"Houve uma reprogramação de pagamentos. Por dois motivos principais: Implantamos normativas, como alinhamento dos programas com a contratualização dos municípios e procedimentos para averiguação do cumprimento das metas pactuadas. A outra questão importante é que tivemos que fazer uma reorganização do financeiro, para adequar à situação de finanças, que o País vem sofrendo desde o ano passado e ao recuo observado com a queda da arrecadação", informou a secretaria. 

A Sesau afirmou ainda que é importante realizar a auditoria, já que os hospitais recebem mensalmente mediante a produção enviada à secretaria. 

 

 

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