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Crivella: ponto positivo da eleição no Rio foi PMDB ficar fora do segundo turno

O senador Marcelo Crivella (PRB), que passou ao segundo turno na disputa para prefeito do Rio de Janeiro, disse que o resultado da primeira rodada de votação neste domingo (2) teve como ponto positivo não permitir que o PMDB avançasse para o segundo turno. Com 27,78% dos votos válidos, Crivella enfrentará, no dia 30 de outubro, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que ficou 18,26%.

“Acho que o PMDB deixar de ir para o segundo turno é algo extremamente importante para a política. de um modo geral. É uma coisa redentora, didática. Isso traz esperança para todos os políticos. É algo que não se esperava. É algo extraordinário. Acho que eu e o Freixo contribuímos muito para o aperfeiçoamento da vida política do nosso estado e da nossa cidade, indo para o segundo turno e tirando o PMDB do segundo turno”, afirmou, em entrevista coletiva após a divulgação no resultado.

De acordo com Crivella, os eleitores do Rio reprovaram o PMDB, mesmo com o tempo maior que o partido teve na campanha de rádio e TV e no número de partidos na coligação. Para o senador, o PMDB mostrou durante o tempo em que permaneceu na prefeitura que precisa se reciclar, e isso foi apontado pelo eleitor. “As pessoas estavam, eu diria, frustradas, desalentadas – este é o termo certo, com as atitudes do prefeito [Eduardo Paes] e também com os sucessivos escândalos que ocupavam o noticiário”, disse Crivella, ao ressaltar que a crítica se referia a uma parte do PMDB.

Embora não tenha revelado com quem conversou, Crivella revelou que já começou os entendimentos para conseguir “um amplo arco de alianças” para o segundo turno, tendo inclusive encontros agendados para amanhã (3). Ele informou que depois embarca para Brasília e retoma suas funções no Senado, de onde se licenciou para participar da campanha.

O senador descartou a possibilidade de acordos com o PMDB e de aceitar fazer campanha com Pedro Paulo (PMDB), terceiro colocado no primeiro turno, mas disse que serão bem recebidos os votos dos eleitores do peemedebista. “Eu aceito os votos. Não rejeito voto de nenhum eleitor, seja de Pedro Paulo, seja de quem for. Agora, não farei acordos sobre cargos ou posições no governo ou apoio de empresários, ou grupos econômicos que estejam hoje atuando na prefeitura. Isso em nenhuma hipótese.”

Crivela parabenizou Marcelo Freixo, que foi para o segundo turno, e disse acreditar que ele adotará estilo diferente do de Pedro Paulo, que insistia em chamá-lo de bispo para reforçar a ideia de que haveria interferência da Igreja Universal, caso o senador fosse eleito prefeito do Rio. “Acho que o debate com o Freixo será completamente diferente, e alto nível. Conversamos muito no primeiro turno. Achávamos que era importante o PMDB não estar no segundo turno e, nesse aspecto, conseguimos. Tenho certeza de que o que faremos agora será sem acusações”, afirmou.

Para o candidato, a diferença de votos em relação a Freixo é importante para começar o segundo turno. Ele destacou que o índice de rejeição indicado nas pesquisas não o preocupa. “É uma rejeição muito mais de preconceito de quem não me conhece, de quem nunca bateu papo comigo na rua.”

Crivella agradeceu aos eleitores que, em um dia frio e chuvoso, saíram de casa para votar e enfatizou que a maioria de seus votos veio de áreas mais pobres da cidade. No segundo turno, o senador disse que buscará um contato mais direto com a população para apresentar propostas especialmente nas áreas de saúde, educação, saneamento e transportes. “Acho que tanto eu como o Freixo vamos nos concentrar nas grandes áreas populosas do Rio. Zonas norte, oeste, suburbana, que são aqueles que mais precisam do governo.”

Garotinho

Marcelo Crivella afastou a possibilidade de o ex-governador Anthony Garotinho, do PR, um dos partidos de sua coligação, fazer parte de sua administração, se for eleito prefeito. “Garotinho foi governador, está em Campos, preocupado com a terra dele, com outros objetivos. Não tem sentido nenhum, era mais fácil se o Pedro Paulo tivesse ido para o segundo turno e governar tendo o [ex-presidente da Câmara] Eduardo Cunha como secretário de Fazenda. O Garotinho tem outros objetivos e outros caminhos”, afirmou.

O candidato descartou ainda a interferência da Igreja Universal, à qual pertence, caso seja eleito prefeito do Rio. “Não haverá nenhuma influência da minha igreja ou de qualquer outra igreja no governo. Zero. O Estado é laico”, afirmou Crivella. Segundo o senador, é preciso repetir a afirmação porque parece que não o ouvem quando trata da questão. “Não há como haver qualquer interferência. Nunca teve no Senado Federal. Então, não terá [na prefeitura]”.

Mudanças na legislação

Crivella defendeu a necessidade de o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) aperfeiçoar seus controles, ao afirmar que viu uma quantidade “absurda” de boca de urna no primeiro turno. “A quantidade de papel ao redor das zonas eleitorais foi algo impressionante. São coisas que a gente precisa ir aperfeiçoando”, enfatizou.


Fonte: Diário de Pernambuco

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