Últimas

Editorial: O brasileiro e o medo de perder o emprego

Pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) traz uma boa notícia: está caindo entre os brasileiros o medo de perder o emprego. Existe um indicador para medir isso, o Índice de Medo do Desemprego (IMD), ao qual não se costuma prestar atenção em épocas de bonança, mas que em períodos de crise torna-se uma referência de destaque.

A média histórica do IMD é 48,2 pontos, um resultado da época em que a economia vinha bem. Quanto maior o número, maior também é o temor de demissão. Em setembro passado ele atingiu 61,2 pontos, conforme o levantamento da CNI – e este resultado é animador, apesar de distante 13 pontos percentuais da média histórica. Isso porque o índice atingido em setembro representa um recuo de 6,7 pontos em relação ao levantamento anterior, de junho, e  uma queda de 3,9 pontos em comparação com setembro do ano passado.

O emprego é a área onde o trabalhador sente de forma mais direta o impacto da crise – sem ele, perde o rendimento fixo com que contava mês a mês, incorpora-se à lista de desempregados e tem de lidar diariamente com a apreensão pela conquista de uma nova ocupação.  É, por isso, um setor emblemático dos humores da economia, daí a atenção que merece um indicador que mensura – até onde isso é possível – o temor do trabalhador com o desemprego.

Como era de se esperar, o medo de perder o emprego é maior entre os entrevistados de renda familiar mais baixa. Nesta faixa, de trabalhadores com renda familiar de um a dois salários mínimos, ou seja, de R$ 880 a R$ 1,76 mil, o IMD chegou a 67,9 pontos. Já entre aqueles com renda acima de cinco salários (superior a R$ 4,4 mil), o Índice ficou em 49,8 pontos – próximo da média histórica. Numa leitura rápida do indicador, pode-se verificar que entre os de maior renda a situação já se apresenta como de certa normalidade.

Projeção recente de economistas indica que o Brasil pode chegar ao fim de 2016 com uma retração de 3,15%, resultado que só pode ser visto com pessimismo, principalmente pelos trabalhadores. Mas ao mesmo tempo existe a perspectiva de que teremos no final de 2016 ou início do próximo ano uma retomada da atividade. Neste caso,   o mercado de trabalho será imediatamente impactado. Segundo análise da Agência Estado, “o próprio governo vem destacando esta ‘retomada da confiança’ como um fator importante para a economia”.  Depois de tantas notícias ruins, o Brasil ansia que as boas deixem de ser conjecturas e se tornem realidade.


Fonte: Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook