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Enrico de Vettori: Tecnologia, o futuro da saúde

A indústria da saúde tem passado, no mundo, por mudanças significativas nos últimos anos, mas talvez nunca na intensidade e velocidade que estamos enfrentando. A pressão por redução contínua de custos e por melhora de performance financeira cresce no mesmo ritmo da evolução dos tratamentos e da exigência por serviços com níveis de qualidade cada vez maiores. Esse cenário pede uma reformulação no atual modelo de negócios da cadeia de saúde, que demanda vários fatores, entre os quais, destaca-se a necessidade de implantação de soluções tecnológicas.

Parece inexequível combinar redução de custos e melhoria no atendimento, como o mercado está exigindo. Mas não é. O desafio é gigante, mas factível, como mostra a edição 2016 do estudo “Global Health Care Sector Outlook”, realizado pela Deloitte. A implementação desse novo modelo tende a se viabilizar por meio de investimentos públicos e privados que integrem a oferta de medicamentos e de diagnósticos de baixo custo com programas de monitoramento de doenças que deem suporte aos profissionais de saúde e às empresas que lidam diretamente com os pacientes, para se anteciparem a problemas e atuar de forma mais certeira tanto na prevenção como na escolha do tratamento. Por mais paradoxal que possa parecer, estamos falando de atendimentos mais personalizados, completos e conectados, em oposição ao atual sistema, ainda massificado.

Essa personalização, sem encarecimento do sistema, tende a se viabilizar por vários meios. Um deles consiste do uso de programas de telessaúde, mHealth, prontuários eletrônicos, consultas por telefone, equipamentos vestíveis e até mídia social. De acordo com o estudo “Global Health Care Sector Outlook”, só o mercado digital de saúde – que engloba uso de tecnologias sem fio, como algumas mencionadas – deve movimentar US$ 233 bilhões até 2020. Estamos falando de um crescimento expressivo, considerando que, em 2013, esse mercado movimentava US$ 60,8 bilhões.

Além disso, os tratamentos que utilizam informações individuais e baseadas na genética têm potencial para estimular o desenvolvimento de terapias que podem melhorar radicalmente os seus resultados – como o uso de smart pills (pílulas inteligentes capazes de monitor os efeitos de um medicamento no organismo). A mesma pesquisa da Deloitte mostra que a adoção de um modelo mais personalizado de atendimento cresce na mesma proporção em que os custos da medicina genética recuam. Esses novos modelos de tratamento tendem a afetar diretamente o desempenho financeiro das empresas, pois ampliam o monitoramento e o trabalho de prevenção, o que, na ponta, reduz custos com tratamentos mais caros e intensivos.  

Esse impacto positivo da tecnologia na indústria de saúde fica ainda mais visível quando se analisam as tendências de aumento dos casos de doenças crônicas – como o diabetes, a pressão alta e síndromes degenerativas – versus a maior longevidade da população. Essa realidade, que tende a elevar custos, também pode ser amenizada por meio de tecnologias preventivas, como os equipamentos que monitoram batimentos cardíacos ou lentes de contato que fazem controle de glicose no organismo, por exemplo. A inovação, se bem aplicada, comprovadamente reduz custos numa cadeia tão complexa como a da saúde.


Fonte: Diário de Pernambuco

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