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Ídolo na Tailândia, Diogo lamenta drama da Lusa e torce pelo Palmeiras no Brasileirão

Em entrevista à Goal, atacante revela motivos para o sucesso com a camisa do Buriram United e aconselha mais brasileiros a seguirem seu caminho


GOAL Por Eduardo Carneiro 


São 60 gols em 70 jogos e sete títulos conquistados em pouco menos de dois anos. Números que  poderiam fazer inveja a Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo. Mas o dono destas estatísticas impressionantes é brasileiro e joga na Tailândia: Diogo, aquele mesmo que brilhou pela Portuguesa e passou ainda por Olympiakos, Flamengo, Santos e Palmeiras antes de virar ídolo do Buriram United.

A Goal Brasil falou com o jogador para saber os motivos que o fizeram se dar tão bem num destino pouco convencional no planeta bola. Diogo também comentou sobre o triste momento da Lusa, rebaixada à quarta divisão nacional, e não ficou em cima do muro quando perguntado sobre qual das suas duas ex-equipes que hoje lideram o Brasileirão mais merece ficar com o título.

Confira a entrevista:

Desde que chegou à Tailândia, você ganhou sete troféus pelo Buriram e tem uma média excelente de gols por jogo (0,86). A que atribui este sucesso?

Acho que foram muitos fatores. Foi muito bom ter uma adaptação rápida, e o povo tailandês me ajudou muito. Tem também o time em si, que é forte, acostumado a ganhar e conta com bastante jogador da seleção tailandesa. E ainda teve a forma de o time jogar, que combinou bastante com meu estilo de jogo também.  

Você estreou com a camisa do Buriram logo na final da Supercopa da Tailândia e fez o gol do título…

Foi muito legal porque foi logo no primeiro jogo, ainda mais sendo uma final. Foi um jogo muito difícil, muito truncado (vitória por 1 a 0 sobre o Bangkok Glass, em janeiro de 2015). Sem dúvida foi um dia muito especial para mim.

Como é o contato com os torcedores? São fanáticos como no Brasil? Você vem sendo bastante assediado?

Sim, bastante, bastante… O pessoal aqui gosta mesmo de futebol. Nossa torcida praticamente lota todos os jogos, é um povo fanático, muito apaixonado pelo time, parece um pouco com o Brasil. Quando vou ao mercado ou ao shopping, sempre vejo torcedores com a camisa do time. Quando joguei no Olympiakos na Grécia (entre 2008 e 2010), eles eram fanáticos, mas era difícil ver o pessoal com a camisa no dia a dia. Era mais no dia do jogo. Aqui você vai em qualquer lugar da cidade e vê, o povo acompanha bastante.

Você acha que em breve o Buriram pode ir longe também na Liga dos Campeões da Ásia?

A Tailândia começou a investir mais agora, de uns anos para cá. O Japão, por exemplo, vem de uma escola de muitos anos atrás, contratando estrangeiros… Agora tem a China, investindo muito, inclusive o Guangzhou foi o último campeão. Precisa investir, trazer jogador de fora… Mas no ano passado mesmo não passamos (às oitavas de final) por falta de sorte. Fizemos a mesma pontuação que o Seongnam, time da Coreia do Sul que passou em segundo. Acredito que nos próximos anos a Tailândia tenha mais sucesso. Esse é inclusive o objetivo do nosso clube: chegar mais longe na Champions.

(Foto: Goal Thailand)

Como é a vida na Tailândia? Já passou algum perrengue por causa da língua ou de costumes bem diferentes?

Que eu me lembre, não, mas claro que tem alguma coisa, nem todo mundo aqui sabe falar inglês. Moro distante da capital Bangkok, uns 40 minutos de avião, mas de carro demora. Aqui tem muitos jogos durante o ano, então fico mais nessa de concentração, jogos… Não me lembro de ter passado por algum problema assim.

Seu contrato com o Buriram vai até o final de 2017. Sua ideia é cumpri-lo? Tem recebido propostas devido ao sucesso no futebol tailandês?

Meu objetivo inicial é cumprir contrato, mas no futebol nunca se sabe o que vai acontecer. Me sinto feliz aqui. Tive proposta da China no início deste ano, mas o negócio acabou não se concretizando

Aconselharia outros jogadores brasileiros a atuarem na Tailândia?

Eu recomendo. Já tem alguns brasileiros aqui, tenho contato. A Tailândia me surpreendeu de uma forma muito positiva. O futebol não é do nível do brasileiro, mas é bem competitivo. Recomendo também pelo povo daqui, que é muito acolhedor.

Você estourou para o futebol na Portuguesa e é um dos maiores ídolos recentes do clube. Acompanhou a queda para a quarta divisão do Brasileiro?

Acompanhei sim. É uma coisa muito triste. Espero que aqueles que têm condições possam ajudar o clube. Passei uma vida lá. Não são só os jogadores e torcedores que perdem, mas sim o futebol brasileiro como um todo. A Portuguesa tem tradição, sempre revelou grandes jogadores… É muito triste ver dessa maneira. Espero que volte logo com mais força.

(Foto: Divulgação)

A que você atribui esta fase terrível da Portuguesa?

A Portuguesa já vinha sofrendo há muito tempo com a condição financeira. Era importante ficar na Série A, pelas cotas maiores, e revelar os jogadores, mas mesmo assim já vinha sendo difícil. Em 2013 tivemos um time muito bom, que só caiu por causa do “caso Héverton” (a Portuguesa perdeu pontos pela escalação do meia na partida contra o Grêmio e acabou rebaixada no Brasileirão). Nem sei falar o que aconteceu. Foi uma surpresa muito grande quando fiquei sabendo.

Você passou por Palmeiras e Flamengo recentemente. Quem você acha que vai levar o Brasileirão? Tem preferência por algum deles?

Foi uma grande honra ter jogado no Flamengo, mas acredito que o Palmeiras tem tudo para ser campeão, principalmente pelo trabalho sério que já vinha sendo feito recentemente. Estão colhendo os frutos agora. Gostaria que o Palmeiras ganhasse o título.


(Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação)

Você teve uma passagem de destaque pelo Olympiakos. Atuar no futebol europeu ainda é uma meta sua?

É difícil falar o que pode acontecer. O futebol dá muitas voltas. Hoje mesmo trabalho com um membro da comissão técnica com quem também trabalhei lá na Grécia. Hoje me sinto feliz aqui e pretendo cumprir meu contrato, mas nunca se sabe.

Você defendeu as seleções de base do Brasil. Acompanhou a conquista do ouro olímpico? E como analisa o momento do time principal?

O ouro foi um marco histórico, fiquei muito feliz. O Neymar é o nome em mais evidência, mas o Brasil hoje tem muitos outros jogadores bons à disposição, que jogam em grandes times da Europa. Creio que o Brasil brigue mais com ele mesmo. Tem muita pressão pela forma como perdeu a última Copa (derrota por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal). Mas temos muitos bons jogadores jovens surgindo, como o próprio Gabriel Jesus, do Palmeiras. O Brasil tem tudo para ir para a Copa e é um sério candidato ao título. Sempre quando o Brasil não chega entre os favoritos ele acaba ganhando, como foi em 1994 e 2002. Até na campanha do ouro agora teve momentos em que estava desacreditado. Estou sempre na torcida pela Seleção.


Fonte: Goal.com

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