Últimas

Igualdade caminha a passos lentos nas urnas

Apenas cinco cidades pernambucanas elegeram prefeitos negros no primeiro turno em Pernambuco e somente 14% dos municípios contarão com gestão de mulheres no estado. O cenário que se desenhava com as candidaturas acabou se consolidando e confirmando Pernambuco como um estado onde a representatividade racial e de gênero caminha a passos lentos.

Na questão racial, é importante ressaltar que os candidatos autodeclaram sua identificação, o que contribui – mas não serve como justificativa – para os pequenos percentuais de representantes negros. Entre os prefeitos, menos de 3% foram eleitos, e entre vereadores, 6% (em média, menos de um vereador negro por município do estado).

Para o doutor em ciência política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Elton Gomes, o baixo número tem como um dos fatores, além da estrutura social racista, o recrudescimento do conservadorismo no país. “Em momentos de crise, o eleitor tende a ser mais conservador. E o conservadorismo brasileiro é marcado por uma predominância branca e machista, isso, sem dúvida, contribui para a desigualdade de representação”, ressaltou.

Para a mestre em direitos humanos e professora do Departamento de Ciências Políticas da UFPE, Ana Maria de Barros, a cultura política brasileira também atua fortemente como fator da fraca representação feminina, assim como no campo racial. “A cultura política do Brasil é racista e machista. No modelo atual, os partidos se voltam para as mulheres apenas para preencher as cotas”, explicou Ana Maria.

Gangorra

Apesar das dificuldades, as mulheres apresentam crescimento entre o número de prefeitas, passando de 17 em 2012, para 25 em 2016. Em compensação, na quantidade de vereadoras houve uma  queda: de 267 para 262. “A política partidária conta com uma tendência de destruição da imagem das mulheres. Isso afasta, mas, mesmo assim, é preciso participar mais. O crescimento, mesmo ínfimo, é importante”, ressaltou a professora Ana Maria de Barros, que destaca ainda a forte participação política feminina fora do segmento partidário.


Fonte: Diário de Pernambuco

Deixe seu comentário

Comentários via Facebook