João Paulo enfatiza discurso da 'felicidade'

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Trsio Alves/Divulgao/PT

 

Candidato do PT no Recife, João Paulo enfatizou a busca pela felicidade no maior evento político realizado neste início de segundo turno. A mobilização visou desconstruir o discurso de que seria impossível para a legenda reagir ao processo de rejeição nesta fase. O evento deu ênfase à “felicidade” e contou com a participação de candidatos vencedores e derrotados no primeiro turno, além de dois líderes religiosos ligados a movimentos sociais, o padre Reginaldo Veloso e o frei Aloísio Fragoso. Ambos deram uma bênção a João Paulo para esta etapa da disputa eleitoral e pediram alegria à militância petista, que foi comparada aos cristãos perseguidos pelo império romano.

“Temos visto muitas pessoas abatidas e desconcentradas. Lembrem o que disse o apóstolo Paulo que não fraquejou diante de uma luta desigual. ‘Quando eu pareço fraco é que estou forte’. Nós não temos o controle da história, mas nós podemos reacender de novo essa chama. Não vai vencer quem tem mais poderes e mais recursos. Só vence quem defende a luta para as pessoas serem felizes. Os nossos adversários  não possuem essas respostas em suas intenções e  em suas decisões”, disse o frei Aloísio para depois acrescentar. “Os primeiros cristãos sentiam um grande abalo diante do império romano, mas eles se reuniam e sua história era seu maior tesouro”, declarou, ressaltando que a candidatura de João Paulo é um símbolo da felicidade.   Chamado ao microfone, por sua vez, o padre Reginaldo Veloso levantou a militância ao cantar “Vamos, amigo, lute”, música tocada pelos movimentos sindicais.  

A mobilização durou cerca de duas horas e meia e foi realizada na quadra do Colégio Decisão, que pertence à família do deputado federal Silvio Costa (PTdoB). O espaço ficou lotado, com pessoas sentadas e em pé, dentro e do lado de fora, e os militantes foram convocados a preencher um formulário com nome, endereço e email para informar a qual zonal pertenciam. Todas as lideranças políticas convidadas para perto de João Paulo falaram, umas num tom bem mais elevado do que o adotado por João Paulo.

“Vamos construir a maior vitória do povo mais recente. O debate vai destruir Geraldo, não se pode ser molinho”, disparou o vereador Jurandir Liberal (PT), que não conseguiu se reeleger. Para o vereador eleito Jairo Brito (PT)), na sétima zona eleitoral, onde a votação de João Paulo e Daniel Coelho (PSDB) foram maiores do que a de Geraldo Julio, a prefeitura “não colocou nenhum paralelepípedo” e os eleitores de Daniel também eram do “povão”. “Os eleitores da sétima zona são nossos. Eles não votaram no 40. Precisamos convencer e comparar. Se você comparar, a diferença para Geraldo é muito grande”, afirmou Brito.

Ex-candidata em Olinda pelo PT, a deputada estadual Teresa Leitão fez duras críticas ao PSB, partido que segundo ela, queria “vencer no primeiro turno para esconder as brigas internas”. “As avaliações que eles fazem na Assembleia são de um governo político derrotado”. Já o  candidato a vice de João Paulo, Silvio Costa Filho (PRB), conclamou cada militante a conseguir mais dois votos. “O mais importante é que a gente tem que discutir a cidade. Recife hoje é a capital nacional da Zika”.

A derrota e o cuscuz com leite

Nos discursos, os petistas ressaltaram que o derrotado no primeiro turno foi Geraldo Julio (PSB) que, segundo eles, tinha o dobro de tempo na TV, o apoio das máquinas do governo e da prefeitura e teria sido rejeitado por “mais de 50%” da população. Houve também muitas comparações entre os governos e a ênfase no abandono das comunidades pobres, o que teria ajudado o Recife a ser a capital mais atingida pelo Zika Vírus.

“Houve uma pesquisa que aponta que 77% das mães que tiveram crianças com microcefalia vivem em comunidades abandonadas.  Nesses anos, quem foi o governo do estado? Quem teve nas mãos a Compesa e não fez o saneamento?”, indagou o ex-deputado Paulo Rubem. “Mais da metade dos eleitores do Recife disse tchau a Geraldo”, afirmou Rubem, adotando uma expressão usada contra Dilma Rousseff   durante o impeachment que foi criticada pelos petistas.  

João Paulo afirmou que a demora em dar ritmo ao segundo turno não era “medo”, mas observou que o tempo tinha sido necessário para que seu grupo formulasse uma estratégia de campanha. O petista falou muito do cenário nacional, no que considera desmonte das políticas públicas apresentadas pelo PT, mas também deu ênfase à disputa do Recife.

“O PSB de Pernambuco cuspiu no prato que comeu”, afirmou João Paulo, ao falar na mudança de lado da legenda socialista, que teria recebido muito apoio de Lula para governar Pernambuco. “Tem coisas na nossa cidade que é de cortar o coração. Somos a cidade campeã da Zika e a tuberculose está voltando com força”, frisou João Paulo, ressaltando que as políticas públicas tinham retrocedido a antes de 2000. “O Hospital da Mulher não tem consulta de ginecologista e nas creches, se serve muito cuscuz com leite. As crianças que têm alergia só comem cuscuz”, acrescentou. “Eles acabaram com toda a participação popular, mas ele tem uma equipe muito competente para fazer mentira”, disparou.


Fonte: Diário de Pernambuco

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