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Nagib Jorge Neto: As versões, história e verdade

As divergências políticas, ideológicas, marcam as campanhas políticas em Pernambuco. No curso das disputas – no século passado e neste século – os embates tendem a manter a prudência, com ataques ou acusações com base em atos e fatos. As distorções, versões tendenciosas, têm sido raras e sem intenção de criminalizar pessoas e partidos, reflexo da tradição de luta contra o arbítrio e em defesa dos ideais de democracia, liberdade e justiça.

É natural, portanto, que os candidatos enfoquem obras, falhas, e o que fizeram ou podem fazer, na tentativa de obter a vitória. Na visão do grupo do atual prefeito, as obras prontas ou previstas estão muito além de tudo que fez o partido adversário quando esteve no poder. Nisto apela para o imaginário %u2013 escolas modelo, hospitais e clínicas – que atendem aos anseios de vida burguesa, ou seja: %u201Cpobre gosta de luxo%u201D – como dizia Joãozinho Trinta, da Beija Flor de Nilópolis. A mensagem induz a ver como atraso a escola ou unidade de saúde da família modesta, pois os mais carentes querem ir além de uma Minha Casa, Minha Vida, como afirmou o ex-presidente Lula.

Até aí tudo bem, faz parte do jogo, mas ao sair do imaginário a campanha passa a atacar o Partido dos Trabalhadores, que não fez em dois mandatos o que está sendo feito agora. No campo de versões omite a história e a verdade, pois antes da gestão petista, ou %u201Cesculhambação petista%u201D, o partido do prefeito e aliados esteve no poder por doze anos %u2013 Jarbas (4 anos); Joaquim Francisco (4 anos) e Roberto Magalhães (4 anos) sem ações efetivas para sanear o Capibaribe, limpar os canais, cuidar do meio ambiente, da urbanização e da melhoria da saúde e educação.

Nesse período, o estado foi governado por Arraes %u2013 oito anos %u2013 Jarbas %u2013 oito anos %u2013 e Eduardo Campos %u2013 8 anos %u2013 governo que contou com o respaldo de Lula e recursos vitais ao desenvolvimento de Pernambuco e da região. Antes disso, enfrentou as tentativas de incriminar gestores no Caso Precatórios, e tirou do papel a duplicação da BR-101, ligando Recife a João Pessoa e Natal, executada pelo Batalhão de Construção do Exército.

Diante das evidências, a campanha sai da linha do debate de propostas e descamba para o terreno da agressão, que atinge Lula e seu partido e amplia a criminalização da política no estado, no país, com índices de apatia e rejeição crescentes. É parte da aliança clara com os grupos que visam ir além da cassação do mandato da ex-presidente Dilma, da prisão de Lula e avançar com o projeto de desmonte do partido e sua política de opção pelos mais pobres, da classe média, com evidentes ganhos nos últimos anos deste século. Ignorar tais avanços, sob qualquer pretexto, tem de ser visto como o aspecto oculto, ou sombra, de ideias próprias ou de integrantes da aliança, de adversários de ações nos tempos de Arraes e Pelópidas da Silveira, que fizeram história no país com a força da verdade e do interesse nacional.


Fonte: Diário de Pernambuco

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