Neymar jogou como se estivesse na rua, e Seleção volta a jogar como o seu tamanho pede

Contra a Bolívia, o Brasil jogou como equipe e individualidades como as de Giuliano, Coutinho, Firmino, Fernandinho e F.Luís também apareceram


GOAL Por Tauan Ambrosio 


O futebol é um esporte de equipe, no qual as individualidades devem aparecer como se fosse a cereja do bolo. E a Seleção Brasileira conta com várias cerejinhas, mas faltava uma receita melhor para o bolo em si. Isso veio com Tite. Nos seus primeiros três jogos, todos os resultados foram vitórias maiúsculas. E em partidas competitivas, nada de amistosos.

Isso faz uma grande diferença, e a própria Bolívia nos mostra isso. Nos últimos dois amistosos, foram duas goleadas: 4 a 0 em 2013, 6 a 0 em 2002. Só que em partidas que realmente valem alguma coisa, a última ‘sapecada’ foi há 16 anos atrás. No dia 3 de setembro de 2000, o Brasil que tinha Romário, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Alex meteu 5 a 0 no Maracanã. Felipão, ainda em seus melhores momentos, era o treinador naquela noite de Eliminatórias para a Copa do Mundo que seria realizada na Ásia.

E, com todo o respeito que o futebol boliviano merece, Seleção Brasileira tem obrigação de jogar muito bem contra eles. Vencer é a consequência mais esperada, e goleadas sempre são bem-vindas. Ver isso com humildade pode ser difícil, mas é o tamanho que o futebol brasileiro exige. Na última quinta-feira (06), na Arena das Dunas, os jogadores do Brasil mostraram humildade, habilidade, futebol e noção do que é, de verdade, jogar com a camisa canarinho.

Brasil dominou a posse de bola e as ações

O primeiro tempo terminou com o jogo mais do que resolvido. Só não valeu o preço do ingresso porque os valores pelos bilhetes foram estratosféricos (R$ 150 a entrada mais ‘barata’). Mas quem conseguiu ir para a Arena das Dunas, viu uma aula de futebol.

Tudo começou com Neymar, o grande craque do jogo. Aos 11 minutos, já estava 1 a 0 depois que o jogador do Barcelona apareceu para pressionar o adversário no meio de campo. Aguentou o tranco na dividida que veio logo depois, avançou e bateu com segurança. Perfeito! Um gol que mostrou seriedade, habilidade e comprometimento.

Neymar: quatro chutes e somente um que não chegou no alvo, um gol, duas assistências (Foto: VANDERLEI ALMEIDA/AFP/Getty Images)

O craque do Brasil apanhou bastante, e acabou substituído no minuto 69 (Foto: NELSON ALMEIDA/Getty Images)

Há algum tempo, uma boa análise dizia que faltou a Neymar ter jogado mais o futebol de várzea. Aquele sem frescuras e faltas bobas, ganhadas no grito. Contra a Bolívia, o camisa 10 enfim jogou como se fosse um moleque cheio de energia em um campo qualquer. A única crítica fica com a reclamação exagerada com o árbitro Wilson Lamouroux, que lhe rendeu um cartão amarelo e cravou a sua ausência contra a Venezuela. No mais, a irritação é compreensível. Neymar sofreu quatro faltas, mas apanhou bastante. E melhor: a cada porrada, parecia ficar mais ousado no drible. Estava solto no gramado, afim de jogar um futebol sério e bonito.

As individualidades apareceram, mas o principal foi o jogo de equipe (Foto: VANDERLEI ALMEIDA/Getty Images)

Quando o primeiro tempo chegava ao fim, Gabriel Jesus brigou pela bola no meio de campo. Avançou e recebeu de Neymar para fazer o 4 a 0. O artilheiro do Palmeiras no Brasileirão já mostrou que, no momento, ninguém tira a sua vaga no ataque – pertence a um aparente grupo de ‘titularíssimos’ com Neymar, Marquinhos, Miranda, Dani Alves e Renato Augusto. Mas dentre os que não estão com lugar garantido, várias foram as boas surpresas.

Coutinho, Giuliano e Filipe Luís tiveram participação fundamental no resultado. Dor de cabeça para Tite! (Foto: NELSON ALMEIDA/Getty Images)

Giuliano fez uma grande partida e deu a assistência para Coutinho, outro que era titular pela primeira vez com Tite, fazer o seu gol. Um golaço em equipe, aliás. Foi o segundo do Brasil. O terceiro saiu dos pés de outro que tem uma árdua briga de posição: escalado na lateral-esquerda por causa da ausência de Marcelo, lesionado, Filipe Luís fez o seu gol em um lance de almanaque. É um jogador completo em sua função.



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Quem também desempenhou um papel excelente, e recebeu elogios de Tite, foi Fernandinho. Se o Real Madrid sente muito a falta de Casemiro na proteção à frente da zaga, a Seleção Brasileira tem sorte de contar com um jogador à altura para substituí-lo. No Manchester City, Fernandinho desempenha função tática idêntica à que Tite o colocou. E, com o apoio e aproximação dos companheiros, ele exerceu muito bem a saída de bola.

Firmino ‘Safadão’ entrou no segundo tempo e fechou o placar (Foto: Pedro Martins / MoWa Press / Divulgação)

O placar de 5 a 0 foi sacramentado por Roberto Firmino, que entrou no lugar de Gabriel Jesus e deixou uma excelente impressão. Apelidado de Wesley Safadão pela torcida nas arquibancadas, o atacante do Liverpool correspondeu com gol de cabeça e retribuiu o carinho – carisma também é importante!

O trabalhou defensivo não foi dos maiores, afinal de contas por mais que o futebol esteja muito equilibrado, a Bolívia ainda é a Bolívia. A goleada foi merecida e encantou, mas Tite ainda terá testes mais difíceis em sua caminhada. Mas vamos lembrar que, há muito pouco tempo, a Seleção sequer agradava. A evolução é notável, e a torcida é para que siga assim. Independentemente do resultado. Depois de muito tempo, o Brasil parece o Brasil quando joga bola.


Fonte: Goal.com

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