O caminho dos oito candidatos que disputam a Prefeitura do Recife

A rivalidade entre o PSB, na luta para manter a hegemonia política em Pernambuco, e o PT, esforçado numa eleição que pode significar sua sobrevida no estado, encontra o ponto alto na disputa pela Prefeitura do Recife, capital e principal colégio eleitoral pernambucano. Essa polarização, no entanto, traz coadjuvantes que não podem ser descartados. Ao todo, Recife tem oito candidatos a prefeito. Além de Geraldo Julio (PSB), que busca a reeleição, e João Paulo (PT), atrás de retornar ao Executivo, somam-se Daniel Coelho (PSDB), já testado nas urnas há quatro anos, Pricila Krause (DEM), Edilson Silva (PSol), Carlos Augusto (PV), Simone Santana (PSTU) e Pantaleão (PCO). É entre eles que os 1,1 milhão de recifenses terão que decidir a quem desejam entregar o comando da cidade pelos próximos quatro anos, seja já no primeiro turno ou em um eventual segundo turno.

Essa campanha foi atípica tanto para a sociedade quanto para os políticos. Com um período mais curto e mudanças significativas no jogo eleitoral, houve quem estranhasse um Recife “limpo” do excesso de publicidade pelas ruas. Ainda assim, a briga eleitoral foi intensa, mesmo antes das convenções. Da parte do tucano e da democrata, o desafio foi garantir o nome nas urnas, tendo sido necessário vencer adversidades internas, cada qual na sua sigla. João Paulo, por outro lado, precisou unir o PT, fragmentado desde a última eleição municipal, quando o então prefeito João da Costa, com quem divulgou ter feito as pazes neste ano, foi impedido de concorrer à reeleição em 2012 por decisão interna.

Já no grupo socialista, as movimentações de Geraldo Julio levaram à formação de uma frente com  20 siglas, deixando os adversários quase sem opção de coligação. O PV, por exemplo, depois de inúmeras conversas, partiu para a corrida em uma chapa puro-sangue. Priscila Krause e Daniel só conseguiram somar mais um partido cada em suas coligações. O PT cavou uma saída no apoio do PTB, do senador Armando Monteiro, que traz a tiracolo PRB, PTN e PTdoB.

João Paulo, no entanto, trouxe para o estado o ex-presidente Lula que mobilizou a militância em um ato pelas ruas do Recife seguido de um comício. O evento aconteceu no mesmo dia em que o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, homem forte da economia durante os oito anos do governo lulista, era preso em São Paulo. No fim, mais do que votos para João Paulo, Lula usou o evento para fazer uma autodefesa diante das acusações feitas a ele e ao PT na Operação Lava-Jato.

Além de Lula, a única figura nacional que desembarcou em solo pernambucano para a campanha foi a ex-senadora Marina Silva, que participou de agenda com Geraldo Julio. Entre os tucanos, nenhum de peso nacional veio, apesar de Aécio Neves ter sido esperado por Daniel Coelho. Chegou para ele, no fim, uma gravação para TV do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso declarando apoio. Apesar do tempo de campanha mais curto – 45 dias -, alguns temas reverberaram, a exemplo da regulamentação do Uber.

Ainda dentro do quesito mobilidade, entraram em discussão a paternidade da Via Mangue e da Avenida Conde da Boa Vista, esta última alvo de fortes críticas principalmente por parte de Daniel Coelho. Enquanto Geraldo afirmou que iria “consertar o erro do PT”, João Paulo tentava “corresponsabilizar” Geraldo, lembrando que o PSB participava da gestão quando o projeto da Avenida Conde da Boa Vista foi executado. Enquanto isso, Geraldo Julio utilizou o maior tempo que tinha no guia em relação aos adversários para se “defender” apresentando realizações de suas gestão, sobretudo o Compaz e o Hospital da Mulher, esse último também com o PT disputando a paternidade, devido ao governo federal, na época com Dilma Rousseff à frente, ter liberado parte da verba para construção.


Fonte: Diário de Pernambuco

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