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Para aprovar PEC do Teto, governo negocia cargos e faz agrado a Estados

Em um esforço concentrado para aprovar a proposta que cria um teto para o crescimento dos gastos públicos, o governo acelerou as negociações do projeto que altera a lei de repatriação e abriu as portas para atender às demandas dos deputados indecisos, inclusive de cargos. A PEC do Teto é a principal aposta do governo do presidente Michel Temer para equilibrar as contas públicas. 

Nesta segunda-feira, 10, ao longo do dia, os deputados governistas impuseram um ritmo acelerado à apreciação e conseguiram aprovar a proposta por 366 a 111 votos. A PEC agora deve ser submetida a um segundo turno de votação antes de seguir ao Senado.

Enquanto a área técnica do Ministério da Fazenda intensificou as negociações para fechar o texto do projeto da repatriação com uma parcela maior da arrecadação do programa para Estados e municípios, as lideranças do governo passaram o dia fazendo um pente-fino na contagem dos votos e dos pleitos dos parlamentares que não estavam com o voto garantido.

Ministros foram acionados nos últimos dias para ouvir as demandas dos deputados, segundo o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS). Segundo ele, houve um acordo para que o projeto da repatriação fosse votado só depois do teto, o que teve o apoio dos governadores. “Se alguém está indeciso, o líder vai dizer por que não quer votar. Quer mais explicação sobre o piso da saúde? Eu ou o consultor vai sentar com o parlamentar e explicar. Tem uma pendência de um cargo lá no Estado dele? Se aciona o ministro para ver se está para sair”, disse Perondi. 

O relator admitiu, no entanto, que há casos em que não é possível atender à demanda. “De repente o assunto é cabeludo e não tem como resolver, não tem como ter o voto”, contou o relator. “Nós fizemos um governo parlamentarista. Estamos verificando isso.”

Temer também ligou para alguns dos 40 parlamentares que apareciam no mapa como indecisos. Paralelamente, o relator do projeto da repatriação, deputado Alexandre Baldy (PTN-GO) trabalhou para fechar o texto final da medida a tempo de a votação ser concluída ainda na segunda. 

Ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, Baldy reconheceu que a redução das resistências da Fazenda às mudanças facilitou as negociações. Os governadores estão apoiando as mudanças porque vão receber uma fatia maior da arrecadação. 

O presidente Michel Temer também exonerou os ministros das Cidades, Bruno Araújo; de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho; e do Turismo, Marx Beltrão para que participassem da votação. É uma espécie de licenciamento para reforçar a votação a favor da PEC. Araújo é do PSDB e Fernando Coelho Filho, do PSB Beltrão, do PMDB, tinha deixado o cargo vago na Câmara desde que assumiu o ministério.


Fonte: Diário de Pernambuco

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