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Polícia Civil indicia 19 vereadores da Câmara de Jaboatão por peculato e associação criminosa

A Polícia Civil de Pernambuco indiciou, na manhã desta terça-feira (18), 19 dos 27 vereadores da Câmara de Jaboatão dos Guararapes pelos crimes de peculato e formação criminosa. Os parlamentares, investigados na Operação Caixa de Pandora, são apontados como líderes de um esquema de desvio de dinheiro público no pagamento de funcionários comissionados “fantasmas”. Indicados por eles, esses colaboradores não trabalhavam e, em troca, devolviam cerca de 80% a 90% dos salários aos próprios parlamentares. Na lista (confira completa abaixo), estão dois candidatos ao segundo turno no município: o ainda vereador e candidato a prefeito Neco (PDT) e o vice da chapa do candidato Anderson Ferreira, o vereador Ricardo Valois, ambos do PR.

Segundo a delegada Patrícia Domingos, a investigação começou em virtude de uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e de uma denúncia de um funcionário público concursado, que teve sua denúncia reiterada pelo presidente da Casa. Além disso, a polícia ficou impressionada o pequeno espaço físico da Câmara, que tinha uma grande quantidade de servidores, na ordem dos 360. “Alguns dos fantasmas já confessaram que não trabalham na Câmara e nunca foram até lá. Inclusive, existem pessoas analfabetas ou semi-analfabetas exercendo cargos de assessor, com salários bastante altos”, comentou Patrícia, afirmando que os vencimentos variam de R$ 1,7 mil a R$ 7,5 mil. Até o momento, foi comprovado que 21 desses comissionados não cumpriam expediente.

Na última sexta-feira, a Polícia Civil cumpriu 50 mandados de busca e apreensão na casa de vereadores e os colaboradores do esquema. No caso do candidato Neco (PDT) foram encontrados R$ 177 mil em sua residência. Parte do dinheiro estava em um lata de lixo no banheiro e outra dividida em armários e em uma cômoda. A polícia também encontrou armamento e munições, como foram os casos dos vereadores Enfermeiro Vieira (PR), Pastor Edmilson (PV) e Soldado Souza (PSB). “O que nós ainda achamos na casa de alguns dos vereadores foram listagens com nomes de eleitores, título de eleitor e local de votação. A gente trabalha com a possibilidade de passar essas informações a outras esferas”, completou Patrícia, sinalizando a suspeita de crime eleitoral.

Na casa de um dos vereadores investigados, o Enfermeiro Vieira, foram encontrados uma grande quantidade de medicamentos. Segundo a polícia, havia receituários de remédio controlado, com talões com as folhas carimbadas em branco, além dos próprios medicamentos. “Há uma agenda de marcação e nós apuramos, durante a investigação, que há suspeita haja uma permuta de votos por cirurgias e exames”, disse Patrícia, reforçando que a hipótese ainda está sendo apurada. “Não temos certeza, mas o material apurado nos leva a crer que isso poderia acontecer”.

As investigações começaram há cinco meses, e, de acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público, os mandados foram pedidos na semana passada para que os vereadores, logo após a divulgação da auditoria do TCE-PE, não destruíssem provas e documentos. “Muitas vezes, depois da divulgação do Tribunal de Contas, a polícia teve que agir para garantir a coleta dessas provas. Porque eles poderiam agir no sentido de destruí-las”, justificou o procurador do Ministério Público de Pernambuco Ricardo Lapenda. A polícia suspeita que o esquema teve início no começo de 2015. Os vereadores, inclusive, demitiam os comissionados no final do ano e depois os readmitiram para receber parte das indenizações.

Alvo para buscas domiciliares
19 vereadores

Reinivaldo Sampaio (Sargento Sampaio, do PR), Jeneton José Basílio (Tonzinho Basílio), Samoel Gomes da Silva (Samoel da Sorveteria), Josivaldo Rufino dos Santos (Vado Jogador), Edson Severiano de Oliveira (Louro), Charles Darcks Rodrigues de Aguiar (Charles Motorista), Adriano Alves Bezerra, Carlos José de Souza (Soldado Souza), Edmilson Monteiro da Silva (Pastor Edmilson), Eduardo Gomes do Nascimento (Didinho), Eurico da Silva Moura, José Belarmino de Sousa, Luciano Luiz de Almeida (Lalá do Povão), Manuel Pereira da Costa Neco, Miguel Antônio da Silva, Misael Barbosa da Silva, Sandra Maria de Lima Silva (Irmã Sandra do Gás), Ricardo Cezar de Valois de Araújo e Sebastião Virgílio Vieira (Enfermeiro Vieira).
Crimes: peculato e associação criminosa

6 operadores
Williams Albino de Souza (ligado ao vereador Eurico), Danielle Pereira Basilio (filha do vereador Janeton), Paloma Halley Ferreira da Silva (filha de Samoel), Jailson David da Silva (ligado ao vereador Charles Darks), Gláucia Benedita Cunha dos Santos (esposa e vinculada ao vereador Josivaldo Santos) e Gladistone Freitas Cordeiro (secretário de Finanças)
Crimes: peculato e associação criminosa

21 comissionados fantasmas
Wellington de Arruda (comissionado do Sargento Sampaio), Alex Hugo Marques Barbosa de Lima (comissionado do Pastor Edmilson), Gilmar Luiz Vitorino (comissionado de Louro), Ivanildo Ascenso do Nascimento (comissionado do Soldado Souza), Selistael Dolores de Lima Nascimento (comissionado do Soldado Souza), Gilvan Vieira da Silva (comissionado de Didinho), Flávio Ferreira de Oliveira (comissionado de Sandra do Gás), Francisco Tenório Bezerra (comissionado de Belarmino Sousa), José Fernandes dos Santos Junior (comissionado de Adriano Bezerra), Danyllo Henrique Barros Wanderley (comissionado de Miguel Antônio da Silva), Israel da Silva Carvalho (comissionado de Janeton José Basílio – Tonzinho Basílio), Mizael Monteiro da Silva (comissionado de Misael Barbosa da Silva), Antônio Solon de Amorim (comissionado do vereador Vado Jogador), Odevaldo Izidoro Silva (comissionado de Sebastião Oliveira), Cláudia Rejane Lopes Lira (comissionada de Neco), Valdemiro Nunes Cavalcanti (comissionado de Luciano Almeida), Vandete Cristina do Monte (comissionada de Neco), Arthur Romero de Mello Pilar (comissionado de Luciano Almeida), Erivan Silva de Machado (comissionado de Samoel da Sorveteria), Raphael Romero de Mello (comissionado de Ricardo Valois) e José Carlos da Silva Júnior (comissionado de Eurico Moura).
Crimes: peculato, abandono de cargo público e organização criminosa


Fonte: Diário de Pernambuco

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