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Rodrigo Calvozzo: Editor de imagem virou o craque do Brasileirão

Quando a interferência externa define partidas, é preciso deixar claro quem é que dá o comando



GOAL Por Rodrigo Calvozzo 


A bola entrou, a torcida vibrou, o juiz confirmou então tá na hora de mexer no placar! Gol é gol e se apenas mais tarde notou-se que havia irregularidade no lance, é uma pena, afinal de contas, futebol vive de emoção e discussão.

O esporte evoluiu e cada vez mais notamos que os lances ficam mais rápidos, tornando assim impossível que os árbitros sejam capazes de acompanhar todos os detalhes dos lances. Por isso o auxílio tecnológico é primordial para o futebol.

Calma, eu sei que o início ficou confuso, afinal de contas o texto mudou de opinião de uma hora para outra, sem nenhuma justificativa e você deve estar se questionando, o que fez esse cara mudar da água para o vinho? Influência do editor da Goal? Patrocinadores interessados em apoiar uma campanha a favor ou contra uma tendência?


(Foto: Nelson Perez / Fluminense FC / Divulgação)

Nada disso. O problema é que as coisas não ficaram claras. A partir do momento que eu não me posiciono de forma oficial se aceito ou não interferência, qualquer suspeita pode ser levantada.

O bate boca do momento envolve a possível (e provável) interferência externa no lance que beneficiou o Flamengo contra o Fluminense. É verdade que o árbitro acabou tomando a ação que invalidou um lance irregular, mas a mando de quem?



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A maioria diz que a medida só foi tomada depois que o lance foi reprisado na TV, mas então quem é o responsável por apertar o Play? Será que agora os editores de imagem serão os senhores dos destinos do futebol nacional? E quando o lance não for de interesse desse mesmo cidadão, será que ele apertará o pause no momento correto para denunciar um impedimento? Vale lembrar que o primeiro gol Rubro-negro também foi cercado de polêmica e já rolam imagens na internet mostrando que o zagueiro Réver estava em posição irregular, antes mesmo de se chocar com o seu rival. E aí?

Aqui não sofro interferência do meu editor chefe e tenho liberdade para ter opinião própria. Então, deixo claro que sou totalmente favorável ao uso do recurso tecnológico no futebol, desde que isso seja feito de forma clara. Basta ver outros esportes como vôlei, tênis, hockey na grama (sim, acompanhei esse esporte nos Jogos Olímpicos e isso inclusive é uma das ações que decidem as partidas) para notar que a emoção não acaba, muito pelo contrário, a interferência se torna mais um fator de comemoração ou decepção.


(Foto: Gilvan de Souza / CR Flamengo/ Divulgação)

No Brasil, criamos um fato inusitado ao inventar uma medida que defende a moralidade, sendo totalmente imoral. Se você analisar, o buraco é bem mais embaixo e não basta só pegar as imagens que recebemos em casa para que do dia para a noite tenhamos o tal recurso “revolucionário”. Se for assim, ficaremos reféns de uma emissora de TV, que decidirá se libera ou não determinada imagem que possa ser do seu interesse.

Tanto nas ligas norte americanas, como na Olimpíada, os responsáveis pela geração das imagens é ela mesma, ou seja, ela vende o produto fechado e as TVs compram o pacote pronto. Esse modelo também é adotado nos campeonatos europeus, como Premier League, La Liga, onde até o nome dos estádios (naming rights) aparecem de forma que eles preferem, já que são os geradores das cenas. Essa situação é bem diferente do que acontece por aqui, onde uma emissora parceira se compromete a fazer esse trabalho, determinando o que entra e o que não entra na sua residência, de acordo com o seu interesse. Você sabia, por exemplo, que o nome oficial da Copa do Brasil não é exatamente esse? O nome do patrocinador é simplesmente ignorado e tudo fica por isso mesmo, já que o pacote não é vendido de forma completa. Será então que a Confederação Brasileira de Futebol estaria disposta a arcar com esse investimento, que diga-se de passagem é inacreditável que ainda não tenha sido feito, para que tenha independência para tomar tal atitude?


As ligas europeias geram suas próprias imagens e não dependem de emissoras de TV (Foto: Getty Images)

Por isso, acho que se as coisas não forem deixadas claras, todas as suspeitas passam a ser válidas. Se tivéssemos acesso ao que os árbitros conversaram (como acontece na Fórmula 1 por exemplo) toda a confusão vista em Volta Redonda não teria acontecido, já que saberíamos quem teria dado a ordem para anular o gol e baseado em que, já que todos teriam tido acesso as mesmas cenas. Portanto, não basta aceitar a imagem, temos que saber quem deu o play!


Fonte: Goal.com

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