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Sem plano B para 2018

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Lula, que sempre foi a maior estrela da legenda, no demonstra flego para a prxima disputa eleitoral. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

O desempenho do PT no primeiro turno das eleições acendeu a luz vermelha. Sem fazer prefeitos em grandes capitais do país, a legenda criada por Luiz Inácio Lula da Silva, no início da década de 1980, corre o risco de não ter candidatura presidencial em 2018. Se as previsões se concretizarem, será a primeira vez que o PT ficará sem postulante ao maior cargo da República desde 1989. Lula, que sempre foi a maior estrela da legenda, não demonstra fôlego para a próxima disputa eleitoral, especialmente após ser alvo de tantas denúncias da Operação Lava-Jato. O petista é réu em três ações penais.

Os petistas do Recife acreditam que, se João Paulo vencer a disputa contra Geraldo Julio (PSB), Pernambuco e Recife vão “dizer não ao golpe” contra Dilma Rousseff e formar uma onda no Nordeste que possibilitará o renascimento do partido em 2018. Eles também apostam que o governo Michel Temer pode ser a chance de o partido retomar a confiança da população, mas tudo ainda está no campo das hipóteses.

O próprio Lula já admitiu, quando esteve em Pernambuco, não haver plano B. O ex-presidente desconversa, aliás, quando indagado sobre o assunto por jornalistas e não lança o nome de novas lideranças. Uma das apostas de Lula foi Fernando Haddad, em São Paulo, porém o prefeito perdeu a disputa no primeiro turno para João Doria (PSDB) e só uma reviravolta na política pode colocar o nome dele no topo novamente.

O caminho para a sigla retomar o protagonismo é voltar a dialogar com a sociedade, andar pelo Brasil, convencer que o governo Michel Temer (PMDB) acabou com as políticas sociais e aprovou medidas impopulares. Mas esse discurso só chega às massas se houver base ativa, ânimo e conteúdo novo.

Em toda entrevista, Lula faz o debate de 2018 colocando o próprio nome, dizendo que “pode voltar”, mas ele não tem certeza do futuro e não autorizou outro tipo de discussão interna. Nomes respeitados no meio petista, como o do ex-ministro José Eduardo Cardozo, ainda não são cogitados, e a sigla não tem mais um perfil do tipo “arrasa quarteirão” que já precisaria ser preparado.

Alguns petistas citam o nome de Ciro Gomes (PDT) em 2018, mas o pedetista não tem a mesma popularidade de outros candidatos já postos e é visto com desconfiança por alguns setores da legenda, que é dividida entre personalidades mais à esquerda e mais ao centro. Ciro também não é um nome que transmite a esperança que o partido precisa. “Ciro vai se viabilizar realmente como candidato? Ele já demonstrou em outros momentos disposição para a tarefa, mas acabou sucumbindo às próprias palavras”, afirmou, temeroso, um interlocutor petista.

Já o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, está de braços abertos à espera dos petistas. “Não houve uma conversa formal neste sentido, apenas expectativas. Mas posso dizer que seria um caminho natural”, destacou Lupi. “Ciro tem bom trânsito na esquerda, um recall interessante perante o eleitorado e, o mais importante, não tem máculas em sua trajetória”, completou o pedetista.

O PT enfrentou a eleição de 2002 com menos prefeitos do que tem agora, mas os petistas, até mesmo os que não estão envolvidos em escândalos, andam com a autoestima abalada. A legenda fez um balanço das eleições, em 5 de outubro, e admitiu alguns erros. Chegou a responsabilizar a ex-presidente Dilma por conta do ajuste fiscal que esvaziou o apoio da classe trabalhadora, mas tem dificuldades de pesar decisões contraditórias que o partido assumiu ao longo dos anos, com alianças que foram de José Sarney (PMDB-MA) a Paulo Maluf (PP-SP). “Não tivemos sucesso, durante o primeiro turno, em construir uma contranarrativa capaz de desmascarar o programa defendido pelas forças golpistas e associá-lo a seus projetos privatistas para as cidades”, diz um trecho da nota.

Para líderes religiosos ligados a movimentos populares, como o frei Aloísio Fragoso, os petistas genuínos precisam se reunir para contar sua história. “Os primeiros cristãos sentiam um grande abalo diante do Império Romano, mas eles se reuniam e sua história era seu maior tesouro”, declarou ele, num evento ao lado do candidato João Paulo, no início da semana passada.


Fonte: Diário de Pernambuco

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